A banana tem três “primos afastados”. Os cientistas estão à sua procura

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Charles Roffey / Flickr

A banana é uma fruta misteriosa. Os cientistas não sabem ao visível as suas origens, mas começam a pelar a verdade.

Uma estudo genética a mais de 100 variedades de bananas selvagens e cultivadas desvenda a história de domesticação da fruta e revela a existência de três maiores desconhecidos – e possivelmente ainda vivos. Os resultados foram publicados esta semana na revista Frontiers in Plant Science.

A fruta alongada e de cor amarelo que conhecemos em Portugal nem sempre foi assim. Aliás, ainda hoje há variedades que podem ser vermelhas ou azuis, com ou sem sementes.

Há tapume de 7.000 anos, as bananas estavam cheias de sementes pretas e quase não eram comestíveis. As pessoas comiam as flores da bananeira ou os seus tubérculos subterrâneos. Outra uso oferecido era arrancar as fibras do talo para fazer cordas e roupas.

“A variedade das bananas não é tão muito descrita, tão muito documentada, uma vez que pensávamos”, disse a autora do estudo, Julie Sardos, ao The New York Times. “Foi realmente ignorada por antigos investigadores”.

A invenção de três tipos de bananas selvagens com marcadores genéticos que as ligam à banana moderna é de extrema valimento. Pode mesmo fazer secção da solução para fortalecer as culturas contra doenças.

O cenário de um mundo sem bananas pode nunca ter sido posto em questão, mas agora a situação está mais grave, muito por desculpa da doença do Panamá, que tem dizimado bananeiras pelo mundo inteiro.

A doença do Panamá é uma infeção que destrói as bananeiras e já afetou várias plantações na Ásia, Austrália, Médio Oriente e África.

A frase “República das Bananas” não vem por eventualidade. Há tapume de 400 milhões de pessoas de países em desenvolvimento dependem da banana para a ingestão diária de calorias.

O principal antepassado da banana é uma variedade chamada Musa acuminata. O consenso entre investigadores é que foi na Papua Novidade Guiné que se domesticaram as bananas uma vez que as conhecemos hoje. Atualmente, há muitas variedades de banana – mais de 1.000, para ser concreto.

Em 2020, cientistas propuseram que, além de M. acuminata e outros parentes selvagens conhecidos, duas espécies desconhecidas contribuíam com ADN para a banana moderna, recorda a revista Science.

Agora, os resultados do novo estudo fornecem mais evidências de que as bananas foram originalmente cultivadas na Papua Novidade Guiné e sugerem que uma subespécie de M. acuminata — chamada banksia — foi a primeira a ser domesticada.

Dos três maiores da banana identificados, os dados sugerem que uma veio precisamente da Papua Novidade Guiné, outra do Golfo da Tailândia e ainda uma de um lugar entre o setentrião de Bornéu, na Malásia, e as Filipinas.

Os investigadores planeiam agora visitar quintas e outros locais nas terras ancestrais das bananas a ver se conseguem encontrar descendentes mais modernos.

  Daniel Costa, ZAP //

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