A bicicleta já não é associada à prostituição. A sua era voltou

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tookapic / 1076 images / Pixabay

A revolução circula em duas rodas e as cidades não serão as mesmas, avisa o profissional Jody Rosen. Fica um pouco de História sobre bicicletas.

Os leitores deste item, sobretudo se vivem em grandes cidades, já se podem ter apercebido de que nos últimos meses (ou anos) há mais bicicletas a circunvalar nas ruas da zona da sua vivenda ou do seu serviço. Ou de ambos.

A pandemia alterou hábitos e, já em 2022, a guerra na Ucrânia alterou hábitos. E alterou despesas.

Os preços dos combustíveis subiram uma vez que nunca e muitas pessoas em Portugal (e não só) passaram a deixar o coche parado para marchar mais vezes de bicicleta.

Em Março deste ano, ou seja, o primeiro mês completo com guerra, a procura por bicicletas e trotinetes subiu 150% em Portugal.

A “mania das bicicletas” começou há mais de 100 anos. “De repente (a bicicleta foi inventada no século XIX) surgiu um meio de transporte eficiente, seguro e que estava disponível para milhões de pessoas, não exclusivamente para ricos”, lembra Jody Rosen, jornalista no New York Times Magazine.

O responsável do livro Two Wheels Good: The History and Mystery of the Bicycle falou num programa do portal Next Big Idea e lembrou, ainda sobre a História, que nesse século, ou se andava a (era o que a maioria das pessoas fazia), ou se tinha moeda para ter um cavalo ou alugar um táxi.

Assim, também as mulheres de classe média – que raramente saíam da zona de sua vivenda – passaram a ter uma forma de saírem. Sozinhas. Um escândalo: “Pensava-se que o passo seguinte ao marchar de bicicleta era a prostituição. Literalmente”.

“A bicicleta era vista uma vez que uma grande ameaço à ordem social, à família nuclear. Havia pessoas a improbar a utilização da bicicleta, diziam que iria suscitar divórcios”, continua Jody.

Até os negócios, no universal, estariam ameaçados. Porque, se as pessoas estavam tão ocupadas em marchar de bicicleta, deixariam de ir ao moca ou fumar. E deixariam de ir à missa!

Do pretérito para o presente

Muita gente pode não ter noção mas a bicicleta é sinónimo de serviço para milhões de pessoas. Não só de meio de transporte para o serviço, mas também do próprio serviço (distribuição, entregas) – sobretudo em zonas de Ásia, África e América Latina.

Novidade Iorque, uma das cidades centrais do planeta, passou a ser palco de mais de 500 milénio viagens de bicicleta por dia.

E pode ser uma cidade “amiga” das bicicletas, desde que haja “vontade política” – mas retirar muitos lugares de estacionamento (e retirar os próprios carros da cidade) é um entrave para muitos responsáveis políticos.

Jody Rosen reforça a teoria generalizada: houve um grande desenvolvimento no número de bicicletas nas ruas por desculpa da pandemia. As pessoas queriam circunvalar de forma segura – e longe umas das outras – e rapidamente foram criadas estruturas em diversas cidades.

Pegando no caso de Paris, o jornalista avisa: as pessoas estão a aperceber-se de que uma cidade com mais bicicletas e menos carros é mais deleitável, é mais limpa.

Por isso, e tal uma vez que indica o próprio título da entrevista, as cidades não serão as mesmas porque a era das bicicletas está a chegar (ou a voltar). Com mudanças graduais, aos poucos; mas um tanto está a mudar.

  ZAP //

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