A origem da mortífera Peste Negra pode ter sido finalmente descoberta

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Pieter Brughel des Älteren / Wikimedia

A pandemia que dizimou um terço da população europeia na Idade Média terá tido início na Ásia Central, mais especificamente no Quirguistão.

As pandemias não são coisa de agora. Nos meados do século XIV, a Peste Negra devastou a Idade Média, sendo uma das pandemias mais mortíferas de sempre, especialmente na Europa — onde se estima que um terço da população tenha sido dizimada — e na Ásia ocidental. Durante séculos, a sua origem foi um mistério que intrigou os cientistas, mas este mistério pode finalmente ter chegado ao fim.

Um novo estudo publicado na Nature pode ter decifrado de onde veio a doença. A chave está num grupo de 30 esqueletos que foram exumados de sepulturas no vale Chüy, no norte do Quirguistão, no final da década de 1880, há já 130 anos.

A peste foi causada pela bactéria Yersinia pestis e há já muito que os cientistas buscam o seu genoma pelo continente europeu. Em pesquisas anteriores, onde compararam os genomas com os restos mortais das vítimas da doença, os investigadores Maria Spyrou e Johannes Krause tinham descoberto que a segunda vaga da pandemia tinha tido início numa vila na Rússia, revela o Science Alert.

Outras equipas de cientistas também já afirmaram que descobriram a primeira vítima da peste, que terá morrido na Letónia depois de ser infectada com uma variante menos transmissível da bactéria milhares de anos antes da pandemia ter tido início.

O novo estudo de Spyrou e Krause sugere agora que a peste nasceu na Ásia Central, devido às provas de ADN dos corpos dos sete indivíduos retirados das sepulturas, sepulturas essas que incluíam detalhes vagos sobre uma peste desconhecida. A doença terá assim nascido no Quirguistão na década de 1330.

Spyrou adianta que a equipa escolheu fazer a análise aos dentes já que estes têm muitos vasos sanguíneos, dando aos investigadores “uma grande oportunidade de detectar patogénicos transmitidos pelo sangue que podem ter matado os indivíduos”. Os cientistas sequenciaram o material genético dos dentes e compararam-no com os genomas modernos e históricos da Y. pestis.

Foram encontrados vestígios do ADN antigo da bactéria da peste nos dentes de três dos sete esqueletos. A inscrição da data nas pedras das sepulturas revela assim o ano exacto destas que foram as primeiras mortes causadas pela peste negra — 1338.

“O nosso estudo resolve uma das maiores e mais fascinantes questões da História e determina quando e onde o assassino mais notório e infame dos seres humanos começou”, afirmou Philip Slavin, historiador da Universidade de Stirling.

A pesquisa tem, no entanto, algumas limitações como o pequeno tamanho da amostra. As descobertas arqueológicas também não costumam ser definitivas e tudo pode mudar se forem encontrados os restos mortais de mais vítimas da peste que tenham morrido ainda mais cedo.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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