A Peste Negra revolucionou o genoma humano até aos dias de hoje

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Antiquity / University of Sheffield

A Peste Negra gerou o processo de seleção originário mais rápido da história da Humanidade, com o surgimento de quatro genes que aumentaram a resistência da população à doença.

Um novo estudo publicado na Nature revela mais detalhes sobre o impacto da Peste Negra — um impacto que ainda sentimos nos dias de hoje.

A equipa de cientistas decidiu investigar qual o efeito desta devastadora pandemia, que matou entre 30% e 50% da população mundial, no genoma humano. Oferecido ter sido uma doença tão generalidade, há inúmeras ossadas enterradas em valas comuns para os investigadores estudarem.

Os autores recolheram mais de 500 amostras de pessoas que morreram em três fases diferentes — antes da Peste Negra, durante a Peste Negra e de pessoas que sobreviveram à doença mas morreram qualquer tempo depois.

A confrontação dos genomas dos três indivíduos revelou que há quatro genes associados à peste e o processo de seleção originário teve uma velocidade inédita na história da Humanindade.

Estes genes produzem proteínas que ajudam a proteger o corpo dos patogénicos e os indivíduos com estas variantes genéticas tinham uma maior verosimilhança de sobreviver à doença, relata o Science Alert.

Para confirmarem esta hipótese, os investigadores criaram culturas de células humanas que representavam diferentes perfis genéticos e infetaram-nas com a peste. Os resultados comprovaram que os genes identificados estavam presentes nas culturas que resistiram mais à bactéria.

Em pessoal, os indivíduos que tinham duas cópias idênticas do gene ERAP2 tinham uma verosimilhança maior de sobrevivência do que os indivíduos com cópias opostas.

Apesar de a bactéria da peste ainda subsistir e circundar, o seu impacto foi muito menor com o passar do tempo. No entanto, o efeito destas mudanças no genoma humano sente-se até aos dias de hoje.

Algumas das variantes genéticas identificadas pelos investigadores estão associadas hoje em dia a uma maior suscetibilidade a doenças autoimunes, uma vez que a doença de Crhon e a artrite.

De combinação com os cientistas, isto prova que há uma associação entre o risco de doenças autoimunes e a adaptação a uma doença infecciosa que se espalhou há vários séculos.

  ZAP //

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