A síndrome que deixa as pessoas bêbadas com álcool produzido pelo estômago

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(CC0/PD) kaicho20 / Pixabay

Cientistas estão a estudar quais são as causas de uma estranha exigência que pode prejudicar a vida das pessoas, levando-as a permanecer embriagadas sem consumir álcool.

Isto acontecia entre duas e três vezes por semana a Nick Carson. Ele começava a impelir as palavras e a perder cada vez mais a firmeza nos pés. A sua conversa começava a remoinhar em círculos, até que caía em sono profundo. Pai de dois filhos, Carson mostrava todos os sinais de embriaguez, mas não tinha consumido álcool.

Essa embriaguez aparente era acompanhada de outros sintomas, porquê dor de estômago, inchaço e cansaço. Muitas vezes, sentia-se mal e desmaiava. Aconteceu pela primeira vez há tapume de 20 anos detrás, quando a sua família notou que ele começou a ter episódios de desorientação mental.

“Eu nunca o havia visto bêbado antes”, conta a esposa de Carson, Karen. O próprio Carson só conseguia lembrar-se destes episódios no dia seguinte de forma nebulosa.

“Eu não tinha teoria do que estava a ocorrer”, afirma Carson, que tem 64 anos de idade e mora em Suffolk, no Reino Unificado. “Seis a oito horas depois, eu acordava porquê se não houvesse zero de inexacto comigo e sentia ressaca muito raramente.”

Até que Carson e a sua esposa descobriram que a embriaguez e os outros sintomas pareciam surgir depois de refeições com cimalha texto de hidratos de carbono, porquê batatas. Depois várias consultas com médicos e nutricionistas, Carson foi diagnosticado com uma exigência rara chamada síndrome da levedação intestinal (SFI).

A síndrome da levedação intestinal, também conhecida porquê síndrome da autofermentação, é uma exigência, até claro ponto, misteriosa, que eleva os níveis de álcool no sangue e produz sintomas de embriaguez em pacientes, mesmo quando tiveram ingestão mínima ou nenhuma de álcool. E pode fazer com que eles não passem no teste do balão, com consequências legais e sociais para as pessoas afetadas.

Mas leste fenémeno incomum também é muito incerto, já que a sua pretexto exata ainda é pouco compreendida. Mesmo assim, a exigência também tem sido usada porquê resguardo lícito em casos de embriaguez ao volante.

 

“Todos nós produzimos pequenas quantidades de álcool por levedação, mas, na maioria dos indivíduos, os níveis são pequenos demais para serem medidos”, afirma Barry Logan, diretor executivo do Meio de Ensino e Pesquisa em Ciência Judiciario da Filadélfia, nos Estados Unidos.

Normalmente, a levedação que eventualmente ocorre no tripa é removida antes que consiga entrar no fluxo sanguíneo, num efeito espargido porquê metabolismo de primeira passagem. “Alguém que tem SFI teria que produzir álcool em quantidade maior que aquela que pode ser removida na primeira passagem”, afirma Logan.

Um mecanismo indicado porquê subjacente à exigência está relacionado aos desequilíbrios dos micróbios intestinais, que geram o prolongamento excessivo de certos micróbios que, posteriormente, sob condições específicas, fermentam uma repasto rica em hidratos de carbono em álcool.

Recentemente, foi invenção uma novidade variação dessa exigência – a síndrome de levedação da varíola – causada por desequilíbrios entre os micróbios que vivem na varíola, produzindo álcool na urina, que antes era inexplicável. Esta versão da exigência foi observada em pacientes com diabetes e, se descontrolada, gera açúcar na urina, que serve de manjar para os micróbios.

Os “culpados”

Os primeiros casos relatados dessa síndrome surgiram no Japão nos anos 1950 e existem indicações de que a população japonesa é particularmente propensa a ela.

Os investigadores indicam que uma variação genética específica que reduz a capacidade do fígado de dissolver etanol pode contribuir para a incidência dessa exigência em certas populações, porquê a japonesa. Essencialmente, as pessoas que possuem esta versão são menos capazes de expelir o álcool do corpo, de forma a que qualquer levedação no tripa pode resultar numa aglomeração dos níveis de etanol.

Mas um relatório médico de dois casos em 1984 destacou outro culpado: as leveduras que moram no trato estomacal dos pacientes.

Médicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Hokkaido, no Japão, relataram que uma enfermeira até portanto saudável, com 24 anos de idade, desenvolveu, ao longo de um período de cinco meses, sintomas de vertigem, náuseas e vómitos uma a duas horas depois de ingerir refeições ricas em carboidratos.

Visível dia, duas horas depois do pequeno-almoço, ela queixou-se de mal-estar universal e vertigens, ficou inconsciente e precisou de tratamento hospitalar. Verificou-se que a concentração de etanol na respiração e no sangue era extremamente subida, embora não tivesse consumido álcool.

Exames de laboratório revelaram que ela tinha altas quantidades da levedura Candida albicans no tripa. Essa levedura é tipicamente encontrada entre os micróbios do tripa humano, mas claramente tinha saído de controlo.

Progressos no conhecimento

“O diagnóstico e o tratamento da síndrome da levedação intestinal progrediram substancialmente na última dez”, segundo a investigadora Barbara Cordell, do Panola College em Carthage, no Texas (Estados Unidos). Cordell estuda a síndrome e é presidente da organização sem fins lucrativos Auto-Brewery Information and Research.

O uso frequente ou prolongado de antibióticos foi indicado porquê fator de risco, seja por ser frequentemente relatado por pacientes que sofrem dessa exigência, ou porque podem suportar reincidência em seguida o uso do medicamento. Isso faz sentido, pois sabe-se que o uso excessivo de antibióticos em universal perturba a microbiota intestinal, mas são necessárias pesquisas adicionais para se confirmar se esta é a pretexto direta da SFI.

Ingerir quantidades excessivas dos tipos errados de víveres também pode fomentar problemas. O consumo excessivo de víveres ultraprocessados também foi associado a perturbações da microbiota intestinal.

No caso de Saccharomyces cerevisiae e Candida albicans, esses micróbios intestinais são conhecidos por crescerem melhor e produzirem mais etanol em condições levemente ácidas, sob pH de tapume de 5-6.

“Normalmente, o pH do estômago é [muito ácido] de 1,5 a 3,5″, segundo o toxicologista Ricardo Dinis-Oliveira, da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário, em Portugal.

“Sempre que o manjar entra no estômago, o pH aumenta [torna-se menos ácido]. No caso de pessoas que sofrem de condições que levam à estagnação dos víveres, isso significa que o pH do estômago manterá esses valores mais altos por mais tempo, o que pode ser favorável para os micro-organismos responsáveis pela produção de etanol”, explica.

Num estudo recente, Dinis-Oliveira descreveu a sua própria teoria sobre a geração das condições ideais para o desenvolvimento da SFI, que é porquê uma “tempestade metabólica perfeita“, na qual o pH do estômago aumenta e combina-se com a estagnação dos víveres e o seu retrofluxo do tripa para o estômago, que é observado em certas condições médicas.

Para Carson, a segmento mais preocupante da sua experiência com a SFI foi o efeito sobre a sua saúde mental. Ele usa a técnica do “palácio da memória”, que ficou famosa com a série de TV Sherlock, porquê conformidade. Na série, Sherlock Holmes descreve porquê se lembra das informações mantendo-as armazenadas em quartos imaginários num grande prédio.

“Quando entro naquele estado inconsciente, não tenho mais entrada aos quartos mentais desses eventos”, afirma Carson. “Isso é extremamente perturbador e acabamos por duvidar de nós próprios”.

Carson explica que, embora ele saiba pela família que esses episódios aconteceram, as suas memórias dos eventos ficam fora de alcance, o que é frustrante.

“Existem diversos quartos onde não consigo entrar, pois esses quartos estão trancados e preciso admitir que nunca entrarei neles”, prossegue ele. “Não é que as memórias não estejam ali, mas não se tem entrada a elas no estado consciente.”

Mas, à medida que Carson aprender mais sobre a sua exigência e suas possíveis causas, ele e a sua esposa esperam que menos quartos porquê esses fiquem trancados no porvir.

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