A Via Láctea é capaz de ondular porquê um lago — e os cientistas parecem ter revelado o porquê

0
5063

JPL-Caltech / NASA

Os braços espirais da Via Láctea.

Através de um processo que os investigadores compararam à “sismologia galáctica”, a equipa modelou um padrão de ondas que poderia explicar o estranho efeito de ondulação que provoca o solidão das estrelas da Via Láctea.

Tente imaginar as 100 milénio milhões de estrelas da Via Láctea porquê uma piscina de chuva plana e tranquila. Agora, imagine alguém a deixar desabar uma pedra com o tamanho de 400 milhões de sóis nessa chuva. A outrora chuva tranquila rapidamente deixará de o ser. Vaga em seguida vaga, a vigor vai ondular através da superfície da galáxia, sacudindo e fazendo saltar as estrelas. Isto é o que os astrónomos pensam ter realizado várias vezes ao longo dos últimos biliões de anos.

Num novo item publicado na Royal Astronomical Society, uma equipa de investigadores explicam porquê uma mini-galáxia próxima — a galáxia anã de Sagitário — parece ter-se despenhado através da Via Láctea em pelo menos duas ocasiões separadas, fazendo com que as estrelas em toda a galáxia oscilassem misteriosamente a velocidades diferentes.

Utilizando dados do observatório espacial Gaia da Escritório Espacial Europeia, os investigadores compararam os movimentos de mais de 20 milhões de estrelas localizadas ao longo da Via Láctea, mas particularmente nas regiões exteriores do disco da galáxia. Os dados revelaram uma misteriosa ondulação que parecia estar a sacudir estrelas por toda a galáxia.

“Podemos ver que estas estrelas oscilam e se movem para cima e para grave a diferentes velocidades”, disse Paul McMillan, responsável do estudo e astrónomo da Universidade de Lund, na Suécia.

Através de um processo que os investigadores compararam à “sismologia galáctica“, a equipa modelou um padrão de ondas que poderia explicar o estranho efeito de ondulação que provoca o solidão das estrelas da Via Láctea.

Eles concluíram que as ondulações foram provavelmente libertadas há centenas de milhões de anos, quando a galáxia anã de Sagitário passou pela nossa galáxia pela última vez — “um pouco porquê quando uma pedra é lançada num lago”, disse McMillan. Parece provável que uma segunda colisão, ainda anterior, entre as duas galáxias também tenha ocorrido, acrescentaram os investigadores.

Alguns estudos anteriores sugeriram que uma antiga colisão com Sagitário pode ter desencadeado ondulações no meio da Via Láctea, mas esta novidade pesquisa é a primeira a mostrar que essas ondulações se estenderam até à borda do disco da galáxia, perturbando as estrelas a cada passo do caminho. Esta novidade pesquisa deverá ajudar a reconstituir a longa e violenta história da nossa galáxia e do seu vizinho mais pequeno, escreveram os investigadores.

Atualmente, estima-se que a galáxia anã de Sagitário tenha muro de 400 vezes a volume do sol da Terreno. Os cientistas suspeitam que já tenha sido muito maior, mas que perdeu até 20% da sua volume para a nossa galáxia em seguida repetidas colisões ao longo dos últimos biliões de anos.

Estas colisões também tiveram impacto na forma e o tamanho da nossa galáxia. Um estudo de 2011 sugeriu que o braço em lesma da Via Láctea é o resultado de duas colisões com a galáxia anã de Sagitário.

  ZAP //

Deixe um comentário