Algoritmo, influencers atacados, prisão no Instagram: perito analisa redes sociais

0
406

ZAP

 

Nelson Zagalo analisa o anunciado “término do social” nas redes sociais. Explicou o sucesso do Facebook e abordou a persuasão no Instagram.

 

“Sempre que há uma mudança, as pessoas entram em stress. As mudanças causam problemas quando a estrutura já está montada”.

 

Assim começou a estudo de Nelson Zagalo à mudança mais recente anunciada – e entretanto já concretizada – pelo Facebook, que passou a ter mais atenção aos conteúdos do que é publicado e sugerido do que à rede dos amigos de cada utilizador.

O professor de Multimédia na Universidade de Aveiro comentou com o ZAP que, para a generalidade das pessoas, não vai ter grande mudança na rotina que cada uma tem no Facebook.

 

Mas há quem vá notar muito esta mudança: os influencers. “Ataca mais os influencers, que estão mais dependentes dessa proximidade com as pessoas que os seguem”.

 

“Vão ter de se ajustar porque os seguidores vão ver as coisas mais em função dos gostos no universal e não em função do que cada um segue. Isso já estava no algoritmo mas agora vai lucrar mais peso”, continuou.

 

“Aliás, eles têm dito no TikTok: não há tanto essa lógica de rede social, de proximidade, mas funciona muito mais pela “qualidade”, pelo sucesso do teor, do que propriamente do fundador do teor. Só o facto de ser o Cristiano Ronaldo a partilhar não chega. Eu não vou ver, se o teor não interessar. Isso vai mudar muito o estado das coisas”, analisou.

 

O professor de uma cadeira sobre conteúdos para redes sociais admite, sem certezas, que vai surgir uma mudança na estratégia de muitas marcas: “Deixarão de investir tanto em influencers”.

 

E explicou: “Uma marca contrata um influencer porquê? Porque sabe que aquele influencer vai chegar a muitas pessoas. Mas se deixar de chegar a muitas pessoas, a marca vai contratar uma pessoa que produza teor interessante“, mesmo que menos conhecida. As marcas poderão preferir “criadores que realmente fazem a diferença. A lógica do TikTok é essa. Mas vamos esperar para ver”.

 

Enquanto a lógica do Facebook tem sido outra: “Ver o que os meus amigos andam a ver. mas simples que cada pessoa pode controlar a gestão das suas redes”, recordou.

 

Já em relação a outras empresas, que utilizam o Facebook porquê “canais de marketing sério”, a mudança no Facebook muda pouco a sua estratégia porque o alcance orgânico é residual, a base destas empresas é o alcance pago há qualquer tempo.

E o algoritmo escolhe o quê?

É a pergunta que muitas pessoas, empresários ou não, fazem incessantemente. Nelson Zagalo deixa uma resposta: “Tem uma quantidade enorme de variáveis. Mostra o que um camarada teu muito próximo vê; mas só se for camarada muito próximo no facebook, porque se for um camarada muito próximo teu, na tua vida real, se não contactares com ele no Facebook, a plataforma não sabe isso. Segue as tuas preferências, os milhares de likes, tudo isso entra no algoritmo”.

“No meio de milhões de conteúdos, conseguem apresentar-te o teor que te interessa”. Aliás, é esse o sucesso do Facebook: “Quando abres o mural, vês as coisas que te interessam. Não o que abriu o telejornal, mas o que te interessa”.

 

“Quase todas as outras plataformas têm copiado o algoritmo do Facebook”, analisou o perito, numa conversa que até envolveu o hi5 (que ainda existe, sabiam?). “Sim, por exemplo, o hi5: não conseguiu manter o sucesso porque não conseguiu controlar as informações que apareciam no mural do utilizador”.

 

Depois o diálogo virou-se para o Instagram, que aposta nas imagens, comunica de forma “mais imediata e mais directa, a assimilação é mais rápida”.

 

A tendência de cada utilizador é para permanecer mais tempo no Instagram, as marcas e até os meios de informação social adaptaram-se ao Instagram: “Muitos meios fazem do Instagram quase um tablóide, com aquelas imagens chamativas”.

 

Não há links. Nas publicações não conseguimos colocar ligações externas. Mas a teoria é essa: “Para mim isso é uma grande desvantagem. Mas isso é desvantagem para as pessoas que querem mais informação. As pessoas querem é consumo rápido e, se for preciso aumentar informações, os jornais acrescentam algumas imagens, um slide e pronto. E fazem isso para nunca saíres do Instagram”. 

 

“O objectivo é manter-te fechado na rede, aquilo está desenhado para te manter recluso no Instagram. Querem dar mais, mais e mais. Não é aprofundar zero. Porque só meia dúzia de pessoas querem aprofundar”, continuou.

 

Em termos de design de interacção, “aquilo é contra tudo que ensinamos. Em termos de design de persuasão, está tudo perceptível”, completou Nelson.

 

O professor universitário lembrou também um factor importante: a idade de quem utiliza as redes. No Instagram o público no universal “vai dos 14 aos 20 e poucos anos, muito ávido por estímulos constantes. No Facebook sobe-se “dos 20 e muitos anos para a frente, adultos que reencontram amigos, por exemplo”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

Seja um visitante de carteirinha, assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.