Alterações climáticas vão espalhar (mais) 60% das doenças infecciosas

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António Pedro Santos / Lusa

 

Pesquisa mostra, com evidência científica, que as alterações climáticas favorecem claramente a propagação e o surto de doenças infecciosas.

 

Avisar que as alterações climáticas estão a mudar todo o planeta – e não é para melhor – não é propriamente uma novidade.

 

Mas vão surgindo estudos, sobre temas específicos e com dados concretos, que nos vão deixando alertas que não devem ser ignorados.

 

Um dos mais recentes foi publicado na revista científica Nature Climate Change e o foco foram as doenças infecciosas.

 

De congraçamento com o portal Deutsche Welle, o estudo realizado na Universidade do Hawai, nos Estados Unidos da América, mostra que 58% das doenças infecciosas têm tendência a ser agravadas, com propagação maior, devido a secas, tempestades e vagas de calor extremo.  

O estudo teve em conta mais de 800 artigos científicos e descobriram uma relação directa, e comprovada, entre as mudanças climáticas e o agravamento das doenças em mais de 3 milénio casos individuais.

“Foi realmente terrível”, admite o principal responsável do estudo, Camilo Mora, que é professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade do Hawai.

Voltando aos números, foram analisadas 375 doenças160 podem ser agravadas pelo calor, 121 pelas inundações, 71 pelas tempestades, 81 pela seca e 43 pelo aquecimento dos oceanos.

E a pandemia acabou por ajudar nesta estudo: “Dadas as extensas e generalizadas consequências da COVID-19, foi verdadeiramente terrível desvendar a enorme vulnerabilidade sanitária resultante das emissões de gases de efeito estufa”.

Exemplos e apelo

As secas provocam, entre muitas outras coisas, escassez de chuva e de vitualhas – o que pode originar consumo de chuva imprópria para consumo e aproximação de animais selvagens às zonas residenciais, aumentando o risco de contágio de doenças. E fragilizam o sistema imunológico.

As inundações, originando golpe de fornecimento de chuva potável e mexendo com os sistemas de esgoto, podem originar surtos de doenças uma vez que a hepatite A ou E.

O calor e a falta de vitualhas em morcegos, de congraçamento com o estudo, aumentaram a disseminação de vírus e promoveram surtos do vírus Hendra.

Os mosquitos, ou outros portadores de doença, ficarão mais adaptados a uma Europa mais quente e, por isso, as doenças espalhar-se-ão mais facilmente entre os europeus.

As alterações climáticas têm mais de milénio caminhos para exacerbar surtos de doenças infecciosas. Mais de 100 doenças estão a intensificar-se por pretexto das mudanças no clima.

Para evitar levante cenário, um apelo repetido por secção dos autores do estudo: é preciso uma “abordagem agressiva” para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na Terreno.

  ZAP //

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