Apps que as igrejas usam para prometer que os fiéis não veem pornografia

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airmanmagazine / Flickr

Igrejas nos Estados Unidos (EUA) estão a usar aplicações de vigilância para prometer que seus fiéis não vejam pornografia. Ex-membros da Gracepoint, uma igreja batista do sul país, relataram que foram coagidos pelos líderes espirituais a instalar as apps Covenant Eyes e a Accountable2You.

A Covenant Eyes e a Accountable2You são aplicações anti-pornografia utilizadas por grupos religiosos e pais para controlar os utilizadores e incentivá-los a ceder atividades “imorais”, uma vez que testemunhar pornografia, relatou o Futirism.

Numa reportagem publicada recentemente, o Wired relatou que essas aplicações vigiam a utilização na web e fazem capturas de ecrã dos telemóveis a cada minuto, enviando de seguida esses dados para outro utilizador, nomeado uma vez que “parceiro de responsabilidade”.

Em 2012, a igreja batista Gracepoint tinha 450 membros monitorizados pela Covenant Eyes. No ano pretérito, a app foi descarregada mais 50 milénio vezes na Play Store. Segundo estimativas da Rocketreach, citada no item do Wired, a faturação anual da companhia é de 26 milhões de dólares.

De harmonia com a publicação, essas aplicações – as “shameware” – ultrapassam as permissões de entrada, verificando todas as suas ações do utilizador – incluindo capturas de ecrã; registo de sites visitados; compras na Amazon; apps utilizadas; artigos lidos e perfis visualizados no Instagram.

Grant Hao-Wei Lin, ex-membro da Gracepoint, contou ao líder da sua igreja que era homossexual. Oriente disse-lhe que para instalar a Covenant Eyes. Um mês depois, enviou-lhe um e-mail onde estavam detalhados os conteúdos digitais que Hao Wei-Lin tinha visto nessa semana, incluindo pornografia. O jovem deixou portanto a igreja.

“Trata-se de o fazer satisfazer o que o seu pastor quer”, indicou ao Wired Brit, um velho utilizador do Accountable2You. “Tive de me sentar e ter uma conversa com o meu pastor depois de ter publicado um item na Wikipedia sobre ateísmo”.

Ao longo dos anos, surgiram diferentes aplicações de “shameware”, todas ligeiramente diferentes, mas que prometiam a mesma coisa.

A Fortify, por exemplo, foi desenvolvida pelo fundador da Fight the New Drug, uma organização anti-pornografia sem fins lucrativos. Já foi descarregada mais de 100.000 vezes na Play Store e regista a frequência com que os utilizadores se masturbam. Terá sido criada para ajudar os utilizadores a ultrapassar a “compulsão sexual”.

Segundo o pastor da igreja Gracepoint em Berkeley, Ed Kang, é sugerido aos membros que instalem as duas aplicações uma vez que segmento do seu harmonia pessoal para fazerem segmento da congregação.

Embora tenha dito que a igreja desencoraja os líderes de serem parceiros responsáveis, a verdade é que cinco dos ex-membros com os quais o Wired conversou tinham um líder da igreja nessa posição.

Em muitos dos casos, os membros da Gracepoint são coagidos a instalar as aplicações, avançou ainda o item. Hao Wei-Lin, por exemplo, viva num apartamento cuja renda de 400 dólares (muro de 416 euros) era suportada pela igreja, o que contribuiu para que as instalasse.

“Nunca vi ninguém que tenha usado uma dessa aplicações a sentir-se melhor consigo mesmo a longo prazo”, disse ao Wired Nicole Praus, investigadora da Universidade da Califórnia, que estuda os efeitos da pornografia no cérebro e luta contra a desinformação ao nível da saúde sexual.

“Estas pessoas acabam por sentir que alguma coisa está inverídico com elas, quando na verdade não está”, completou ainda a perito.

  Taísa Pagno //

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