Caos e comoção no funeral do rei do Kuduro. Quem é Nagrelha?

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Ampe Rogerio / EPA

Funeral do rei do kuduro Nagrelha em Luanda, Angola.

Uma morte, vários feridos, desmaios e o caos em Luanda. Foi o resultado do funeral do músico angolano Nagrelha, divulgado uma vez que o “Estado-Maior do Kuduro”, que reuniu uma plebe nas ruas da capital de Angola – terá sido o maior funeral de sempre no país.

O funeral do músico Gelson Caio Mendes, mais divulgado uma vez que Nagrelha, mobilizou milhares de pessoas e a polícia teve de intervir para controlar a plebe.

Um jovem morreu e 33 pessoas ficaram feridas, incluindo 16 polícias, dois dos quais esfaqueados com sisudez, segundo um balanço da polícia de Luanda.

A vítima mortal é um jovem de 13 ou 14 anos que morreu asfixiado durante o tumulto que teve lugar nas imediações do cemitério, tendo morrido a caminho do hospital, segundo revela à Lusa o porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia Pátrio, superintendente Nestor Goubel.

“Face à tentativa de invasão do cemitério, as forças policiais foram obrigadas a espalhar a plebe desordeira”, refere a polícia, num transmitido a que a Lusa teve chegada.

Houve também danos materiais, nomeadamente em quatro viaturas da polícia e numa esquadra traste, cinco autocarros foram vandalizados e uma motorizada foi carbonizada.

Verificou-se ainda o roubo de botijas de gás e de grades de cerveja em quantidade não determinada.

“Foram detidos 18 cidadãos suspeitos de práticas indecorosas”, acrescentam as autoridades.

Já se previa “uma moldura humana considerável” para o funeral de Negrelha que tem uma grande legião de fãs. Outrossim, havia notícias nas redes sociais que davam conta de incitação a práticas de desordem social, roubos e arruaças.

A polícia definiu um conjunto de medidas para “anular todas as ameaças”. Todavia, a verdade acabou por ultrapassar as expectativas e a polícia teve mesmo que intervir para espalhar a plebe com recurso a gás lacrimogéneo.

Na debandada que se seguiu várias pessoas ficaram feridas ou desmaiaram, conforme testemunhou a Lusa no sítio.

Negrelha era o “Estado-Maior da cultura angolana”

O artista angolano tinha 36 anos e morreu vítima de cancro do pulmão. Era divulgado uma vez que o “Estado-Maior do kuduro”, embora também tenha dito que, mais do que isso, era o “Estado-Maior da cultura angolana”.

Nagrelha era um dos artistas mais populares de Angola, um verdadeiro “fruto do povo e um dos símbolos da juventude” do país, uma vez que assinala a UNITA, partido da oposição, destacando o artista “carismático, criativo e excêntrico”.

O funeral do rei do kuduro terá sido o maior de sempre em Luanda, superando inclusive o do grande herói e líder Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República de Angola.

Nagrelha destacou-se uma vez que um dos fundadores do famoso grupo angolano Os Lambas, a par de Buno King, Amizade e Andeloy. O grupo separou-se em 2014, mas acabou por voltar a reunir-se em 2018, já depois do falecimento de Amizade.

Entretanto, Nagrelha lançou uma curso de sucesso a solo com vários êxitos uma vez que “Não me Tarraxa Assim”, “Provou e Gostou”, “Wamona” e “Dizumba Grande”, entre outros.

As suas músicas inspiravam os jovens e o seu sucesso era visto uma vez que um exemplo enquanto fruto do gueto, oriundo de um bairro pobre de Luanda.

 

Muitos artistas lamentam a sua morte pela valor que Nagrelha teve para o kuduro e para a própria música angolana e africana em universal. Ele foi influência para muitos músicos e até o brasiliano Emicida, um dos grandes nomes do hip hop do Brasil do momento, lamenta a morte do angolano.

Grande perda, Talentoso Nagrelha dos Lambas! Descanse em silêncio! O Kuduro amanhece mais triste. Meu coração está contigo Angola”, escreve Emicida nas suas redes sociais.

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