Cartas de paixão da 2.ª Guerra Mundial ajudam filha a encontrar o pai

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Daniel Burka / Flickr

Sharon Estill Taylor tinha somente três semanas de idade quando o pai desapareceu na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Em 2006, as cartas de paixão que os pais trocaram ajudaram a filha a encontrar o corpo do pai.

Depois de décadas de trabalho de detetive, Sharon Estill Taylor finalmente devendou o mistério do paradeiro do seu pai, Shannon Estill, um piloto dos quais avião foi alquebrado na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, em Abril de 1945.

Na profundeza, Sharon tinha somente três semanas de vida e nunca foi encontrado o corpo ou alguma mensagem que indicasse que o piloto tivesse conseguido deixar o avião antes de oriente ser atingido. O seu pai acabou por ser enunciado morto em combate, apesar de o corpo nunca ter sido encontrado.

As cartas de paixão que o piloto, na profundeza com 22 anos, trocava com a sua mulher Mary desde que os dois estudavam no secundário, deixaram de vir. A sua avó acabou por lhe dar uma caixa com murado de 450 cartas trocadas entre os seus pais, desde o início da relação dos dois até à ida do piloto para a guerra, no Outono de 1944.

Nos anos 90, já com os seus filhos adultos, Sharon passou um Verão inteiro a transcrever as cartas, acabando com um totalidade de 3000 páginas. Nas cartas, o pai relatava o quanto amava a mãe, os perigos da guerra e até desenhou um esquema com métodos diferentes de mudar fraldas, quando a gravidez da mulher estava perto do término, relata a National Geographic.

Poucas semanas depois da recém-nascido nascer, Estill endereçou uma missiva para as suas “Meninas Criancinha”. Tinha somente mais uma missão para voar antes de poder voltar para mansão de licença e até prendeu uma botinha de recém-nascido ao seu elmo para dar sorte.

Sharon usou as cartas para encontrar as peças que faltavam do puzzle, em conjunto com a informação dos Arquivos Nacionais e da Livraria do Congresso, e descobriu que a 13 de Abril de 1945, o pai tinha partido com 10 outros pilotos para testilhar uma estação ferroviária e destruir a rede de distribuição dos mantimentos para os nazis.

Os arquivos faziam referência a um verosímil acidente perto da vila de Elsnig, na Alemanha de leste. Com a queda do muro de Berlim em 1989, já era verosímil visitar o sítio onde o avião se teria despenhado. Sharon falou com o historiador da aviação militar alemã Hans-Guenther Ploes, que a ajudou a encontrar e identificar qualquer avião que tivesse sobras humanos.

Ploes descobriu a data da placa do avião do pai de Sahron em 2003 e encontrou ainda fragmentos de ossos nas imediações. Foi enviada uma equipa do Departamento de Resguardo dos Estados Unidos para a Alemanha que, em 2005, fez uma escavação ao longo de três semanas.

Sharon afirma que desde o momento em que pôs os pés no sítio, conseguia sentir a presença do seu pai e os testes de ADN confirmaram que os sobras mortais eram seus.

Num dia soalheiro em Outubro de 2006, a família pôde finalmente despedir-se de Shannon Estill e enterrar o seu corpo. Sharon cumpriu assim a promessa que tinha feito à avó paterna aos sete anos, quando lhe garantiu que ia trazer o pai para mansão.

“Queria saber a verdade. Queria que a memória dele e do que ele fez nunca fosse esquecida”, remata Sharon.

  ZAP //

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