Contra factos não há argumentos, mas há um pouco que pode ser mais suasivo

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Liza Summer / Pexels

Um estudo indica que há um pouco que pode ser mais suasivo do que factos numa discussão com outra pessoa: partilhar experiências pessoais.

O ditado é macróbio e não engana: contra factos não há argumentos. Ainda assim, quando envolvidas numa discussão, algumas pessoas têm dificuldades em aceitá-los, até mesmo quando sabem que se tratam de verdades incontornáveis. Ou logo, numa sociedade em que há cada vez mais incerteza, incerteza, fake news e afins, aprendemos a questionar cada vez mais aquilo com que somos confrontados.

Assim, usar factos para concordar o seu argumento moral ou político sobre um pouco já não é uma estratégia infalível porquê talvez seria antes, sugerem cientistas.

Emily Kubin, psicóloga da Universidade Koblenz-Landau, na Alemanha, é a autora de um estudo que sugere que ainda mais possante do que factos são as nossas experiências pessoais.

“Os adversários políticos respeitam mais as crenças morais quando são apoiados por experiências pessoais”, defende a investigadora, citada pela ScienceAlert. “Fornecer perceções da verdade dentro de divergências morais é melhor conseguido ao partilhar experiências subjetivas, não fornecendo factos”.

Isto não significa que os factos tenham perdido o poder que sempre pensamos ter. Simplesmente, Kubin e companhia sugerem que se tornou cada vez mais difícil usá-los para lucrar debates, já que os próprios factos são agora tão frequentemente debatidos, devido à natureza fraturada do espectro político de hoje.

“A eficiência dos factos não é clara em casos concretos, porquê quando se discute com um estranho sobre os direitos da posse de armas”, escreveram os autores do estudo publicado, no ano pretérito, na revista científica PNAS. “O problema é que os factos — pelo menos hoje — estão sujeitos a dúvidas, mormente quando entram em conflito com as nossas crenças políticas”.

Os investigadores chegaram a esta desenlace através de 15 experiências, nas quais a equipa mediu e comparou se as estratégias baseadas em factos ou na experiência tornavam os pontos de vista morais ou políticos mais racionais para os participantes.

Os cientistas descobriram que os argumentos que expressam experiências pessoais relevantes venceram as estratégias baseadas em factos.

Entre as experiências pessoais, as histórias em que as pessoas partilham experiências de dor ou sofrimento pessoal foram as mais convincentes em termos de invadir o reverência do ouvinte.

“Especulamos que as experiências pessoais podem ser implantadas no início das conversas para primeiro erigir uma base de reverência reciprocamente”, escreveram os autores, “e depois os factos podem ser introduzidos à medida que a conversa avança para especificidades políticas”.

  ZAP //

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