Convocada por Caetano, mobilização pátrio contra retrocessos

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno (MST) reforçou a convocação do Ato pela Terreno, mobilização contra a agenda de retrocessos ambientais que pode ser colocada em prática ainda neste ano. A sintoma, que tem adesão de artistas, organizações e movimentos, será em 9 de março, às 15h, em frente ao Congresso Pátrio, em Brasília. 

Entre as propostas que motivaram a convocatória, estão medidas que prejudicam o licenciamento ambiental, facilitam a grilagem de terras, autorizam mineração em terras indígenas, flexibilizam regras de aprovação de agrotóxicos e instituem o “marco temporal” sobre terras indígenas, tese jurídica que permite impugnar a demarcação de áreas ocupadas por povos originários. 

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Protagonista da luta pela reforma agrária no país e padroeiro da soberania popular no campo, o MST afirma que o protesto deve ser direcionado, principalmente, aos parlamentares e ao governo federalista, que promovem o desmonte das políticas públicas de forma agressiva contra o meio envolvente e as populações nos territórios.

“Estamos sendo governados por um quadrilha que tem porquê base o agronegócio, o latifúndio, os garimpeiros, as milícias e as elites, que dão sustentação a esse governo em manutenção e aumentos dos seus lucros, independentemente da crise social do desemprego e dos crimes cometido pelo governo na pandemia”, afirmou Alexandre Conceição, da direção pátrio do MST.

Caetano Veloso engrossa convocação 

O cantor e compositor Caetano Veloso é um dos membros da classe artística que faz a convocação. “Eu acho que está na hora de a gente se manifestar na rua, botar a rosto na rua. Portanto eu vou estar em Brasília, na frente do Congresso, às 15h, no dia 9 de março. E colegas meus também estarão lá, para o meu orgulho e minha honra”, declarou ao Brasil de Indumento

Para o MST, uma das reivindicações mais importantes é o término das ameaças de despejos em territórios ocupados por famílias sem terreno. Segundo o Movimento, murado de 200 áreas estão sob risco de ter as famílias expulsas.

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Outros pontos relevantes são a aprovação pela Câmara do Pacote do Veneno, que facilita o uso de agrotóxicos; o aumento de casos de ataques aéreos com agrotóxicos contra pequenos produtores; e o recta à sustento em meio ao desenvolvimento da inópia no país. 

“Os chamados para o ato estão na risca das lutas que o MST e a sociedade precisam travar para proteger a vida, os direitos humanos e o meio envolvente. Ainda mais agora com as falas de Bolsonaro de que é preciso guerrear as terras indígenas para resolver problemas dos fertilizantes que deveriam vir da Rússia”, acrescenta o dirigente do movimento.

Legalização de crimes ambientais 

Além de Veloso, outro artistas que encabeçam o protesto são Maria Gadú, Seu Jorge, Nando Reis, Bela Gil, Cristiane Torloni, Letícia Sabatella, Bruno Gagliasso e Lázaro Ramos. Entre os movimentos e as organizações estão a Fala dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno (MST), Greenpeace Brasil, Observatório do Clima, ClimaInfo e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

“Se esse pacote de leis for validado, crimes ambientais serão legalizados e o Brasil se tornará um dos maiores párias climáticos do mundo. Aliás, qualquer tentativa de controlar o desmatamento num novo governo estará fadada ao fracasso”, afirma o manifesto assinado por artistas e organizações.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Manancial: Brasil de Indumento

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