Coronavírus: 6 perguntas (ainda) sem resposta

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zhudifeng / Canva

Quase dois anos e meio depois do primeiro caso de COVID-19, ainda há “mistérios” que os especialistas estão a tentar perceber.

Novembro de 2019. Surge o primeiro caso, pelo menos espargido, de COVID-19. Em Wuhan, na China.

Abril de 2022. A pandemia continua por aí, embora mais suave do que noutros tempos, e continua a possuir “mistérios” por resolver.

O portal Stat, devotado a notícias sobre saúde, elaborou nesta semana uma lista de seis perguntas ainda sem resposta consensual, quase dois anos e meio depois do emergência do coronavírus.

Evolução

A primeira é talvez a principal: uma vez que vai evoluir o vírus SARS-CoV-2?

As variantes Delta e Ómicron foram as mais comentadas. Mas o alfabeto helênico deverá continuar a ser explorado, nos próximos tempos.

Os especialistas são cautelosos quando o tema é a evolução do vírus. O princípio sumoso e orientador é: o vírus quer sempre replicar-se, espalhar-se. Continuará a ser transmissível e continuará a procurar variantes novas, mutações diferentes, que consigam “fugir” da isenção dos humanos – sim, há a verosimilhança de actualização de vacinas (já vamos lá).

Também há por exemplo o cenário provável de novos casos de “vírus recombinantes”, ou seja, casos de fusão de duas variantes existentes (quando dois vírus infectam a mesma célula).

Resumindo: os vírus podem assumir mutações aleatórias e ser mais – ou menos – perigosos para os humanos. É perigoso fazer previsões; mas há a noção de que é verosímil surgir uma “combinação desastrosa” numa versão que, ao mesmo tempo, seja muito eficiente no contágio e apresente consequências negativas para a saúde.

Vagas

Segunda pergunta: uma vez que serão as novas vagas?

Volta a ser perigoso fazer previsões mas não é perigoso declarar que a pandemia não acabou. Ainda nem passou para endemia, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Por isso, pode possuir medidas que deixem de ser obrigatórias – tivemos nesta quinta-feira o caso português, em relação às máscaras – mas essas posturas continuam a ser altamente recomendadas.

Não há certezas em relação a novas vagas – sazonais ou não, por exemplo – mas há (praticamente) a certeza de que, quanto maior for o número de pessoas infectadas e/ou vacinadas, maior é a isenção a nível global. E menor é a verosimilhança de casos graves: a maioria das pessoas que têm morrido nos últimos meses não estava vacinada.

Resumindo: o vírus passará a ser um “molesto” global em vez de crise global.

Estreantes

Terceira questão: quem nunca foi infectado deve estar mais preocupado?

Talvez não. Por um lado, a evidência científica indica-nos que as pessoas que já registaram casos de COVID-19 ganham isenção maior, sobretudo se também tiverem recebido a vacinação completa.

Por outro lado, a tendência é que a pessoa nunca infectada tenha uma vantagem: a versão que a “recolher” – se recolher – será mais ligeiro, com menos sintomas graves.

Transmissão

Quarto ponto: uma vez que é transmitido o vírus entre humanos?

Para trás ficaram as “paranóias” de limpar até o corrimão do prédio e de não tocar em campainhas, com receio de contágio. É muito vasqueiro uma superfície ser contagiosa.

Está visto que o coronavírus se transmite essencialmente através de fluxos de partículas invisíveis, que circulam pelo ar quando falamos, cantamos, espirramos, tossimos, ou simplesmente quando respiramos.

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No entanto, ainda continua a ser difícil definir o processo preciso de contágio. Por exemplo: estão duas pessoas a conversar e uma contagiou a outra – quando? Porque se tocaram? Foi por desculpa de falarem perto uma da outra? Foi porque a infectada estava a…respirar? Porquê funcionam os aerossóis?

Desvendar estes pormenores importantes é dispendioso, é “tecnologicamente terrível” e é “eticamente complicado”, avisa o item.

Combate

Quinta questão: vem aí uma geração superior de testes, vacinas e terapias?

É quase patente que está para chegar ferramentas de combate mais avançadas, tecnologicamente – mas depois entra o paisagem financeiro e muitas dessas novidades podem nem chegar ao mercado.

Os testes que se vão utilizar deverão ser os que já estão a ser utilizados.

As vacinas poderão ser actualizadas mas aí entra novamente o contexto financeiro: quantas farmacêuticas estão disponíveis a fazer novos ensaios que custam milhões de euros? E quantas pessoas estariam agora disponíveis para esses ensaios? A verosimilhança maior é: surgirão novas e melhores vacinas, mas não para já. E não para todos.

Já as terapias devem ter o horizonte mais animador, entre nascente trio. Há medicamentos a surgir, há novas formas de combate a serem desenvolvidas, tratamentos orais que já mostraram que são eficazes.

COVID longa

Última pergunta: até quando vamos procurar explicações sobre a COVID longa?

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Ainda se sabe pouco sobre a long COVID, os casos em que a doença persiste no ser humano.

Estão a ser estudados os sintomas, fazem-se comparações com o VIH, vírus da SIDA, estudam-se os problemas cognitivos e físicos em clínicas de restauração, procuram-se respostas nas inflamações crónicas, na persistência do vírus.

No fundo, muitos cientistas atravessam uma temporada de medicina experimental. O progresso tem sido assinalável mas não há resposta exacta para a pergunta ali supra.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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