Costuma ter sonhos bizarros e sem sentido? Já sabemos porquê

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Andrea Piacquadio / Pexels

Uma nova pesquisa revelou que ter sonhos estranhos ajuda o nosso cérebro a consolidar as suas experiências e a aprender melhor.

Em média, sonhamos entre quatro e seis vezes por noite, mas esquece-mo-nos da maioria destes. Mas afinal, qual é a utilidade dos sonhos?

Um novo estudo publicado na eLife concluiu que os nossos sonhos, principalmente aqueles que parecem verdadeiros, mas que após uma análise mais próxima são estranhos, ajudam o cérebro a aprender e a tirar lições das experiências anteriores.

Durante o sono, passamos por duas fases diferentes, o sono REM e o sono não-REM. Na fase REM, o cérebro tem uma atividade muito maior e produz cérebros mais vívidos, lembra o SchiTech Daily.

Os investigadores usaram simulações no córtex para modelarem como as diferentes fases afetam a aprendizagem, inspirando-se na técnica de machine learning chamada Redes Adversárias Geradoras (GANs).

Nas GANs, duas redes neurais competem entre si para gerarem novos dados da mesma base — neste caso, uma série de imagens simples de objetos e animais. Esta operação produz novas imagens artificiais que podem parecer realistas para um observador humano.

Os investigadores depois simularam o córtex durante estes três estados distintos: desperto, o sono não-REM e o sono REM. Enquanto estava desperto, o modelo foi exposto a imagens de barcos, carros, cães e outros objetos.

No sono não-REM, o modelo repetiu as entradas sensoriais com algumas oclusões. Já o sono REM cria novas sensações através das GANs, gerando versões realistas e combinações de barcos, carros, cães, etc. Para se testar a performance do modelo, um classificador simples avalia quão facilmente a identidade do objeto pode ser interpretada a partir das representações corticais.

“Os sonhos não-REM e REM tornam-se mais realistas com a aprendizagem do nosso modelo. Apesar dos sonhos não-REM se assemelharem às experiências despertas de perto, os sonhos REM tendem a combinar criativamente estas experiências”, revela Jakob Jordan, líder da equipa de investigadores.

Notavelmente, foram quando a fase REM foi suprimida no modelo que a precisão do avaliador baixou. No geral, estar desperto e os sonhos não-REM e REM têm funções complementares para a aprendizagem, experimentando os estímulos, solidificando as experiências e descobrindo conceitos semânticos.

“Achamos que estas descobertas sugerem uma função evolutiva simples para os sonhos, sem interpretar o seu significado exato. Não deve ser surpreendente que os sonhos sejam bizarros, esta bizarria tem um papel. Da próxima vez que tenha um sonho doido, não tente encontrar um significado mais profundo — o seu cérebro pode simplesmente estar a organizar as suas experiências”, remata Deperrois.

  ZAP //

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