Dieta do “varão das cavernas” para perder peso? Eis o que diz a ciência

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Charles R. Knight / Wikimedia

A dieta do “varão das cavernas” é popular entre algumas pessoas que pretendem perder peso. Elas acreditam que alimentarem-se uma vez que o ser humano da Idade da Pedra deixaria-as mais saudáveis.

Esse tipo de sustento recebeu o nome de dieta paleolítica. E, para tentar fazer negócio a partir dessa tendência, foram atribuídas qualidades fantásticas a essa dieta: afirma-se que ela melhora a pele, aumenta a isenção, resolve problemas digestivos e, simples, ajuda a perder peso.

Mas uma vez que é que é verosímil consumir paleoliticamente? A dieta inclui frutas, verduras, carnes magras, peixe, ovos, nozes e sementes, que são os mantimentos que, segundo se acredita, os seres humanos consumiam quando eram caçadores-coletores.

A dieta paleolítica exclui os mantimentos que ficaram mais comuns quando começou a lavradio em pequena graduação, há 10 milénio anos: cereais, legumes e produtos lácteos.

Tudo parece muito congruente, exceto por um pormenor: não é verdade que os seres humanos tivessem essa dieta pré-histórica, segundo Herman Pontzer, professor de antropologia evolutiva e saúde global da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

“Existem muitos mitos sobre o que comiam os seres humanos no pretérito”, afirma Pontzer. “São crenças românticas, baseadas na suposição de que haveria uma dieta procedente”.

Mas, depois de trabalhar diretamente com uma comunidade de caçadores-coletores, o pesquisador conseguiu observar e medir o que realmente comem.

Os hadzas, na Tanzânia

Pontzer foi à Tanzânia para estudar e viver com os hadzas, um grupo de caçadores-coletores. Eles são o povo atual mais próximo da vida que teriam levado os nossos ascendentes.

Em vez de cultivar ou fabricar animais, os hadzas vivem do que encontram enquanto percorrem longas distâncias.

Pontzer passou a última dez a estudar a saúde e a fisiologia desse grupo. Os hadzas caminham até 10 km por dia, caçando animais selvagens, recolhendo mel, cavando a terreno à procura de tubérculos, apanhando frutas ou transportando chuva e lenha.

Depois de estudar os dados obtidos dessa e de outras comunidades pelo mundo, o investigador defende que, na veras, “não existe uma dieta paleolítica”, já que os caçadores-coletores tinham muitas dietas, dependendo do clima, da estação e de muitas outras condições.

É verdade que a caça silvestre, os tubérculos e as frutas contêm menos calorias, sal ou gordura que os mantimentos consumidos atualmente pelos seres humanos.

Mas também acontece que a maioria das dietas das comunidades estudadas não é tão rica em músculos e pobre em hidratos de carbono, uma vez que afirmam alguns entusiastas da dieta paleolítica.

Ao contrário do que se acredita, os caçadores-coletores comem muitos mantimentos ricos em hidratos de carbono, açucarados e com fécula, tubérculos, mel e até grãos, segundo Pontzer.

Existem registos de há 200 anos com informações compiladas por investigadores. Neles, existem evidências sobre a sustento desse tipo de grupos. E as descrições demonstram que não existe uma única dieta humana avito, segundo o professor.

“Normalmente, a dieta dos caçadores-coletores inclui um estabilidade entre vegetalidade e animais, mas varia muito”, afirma Pontzer.

Porque é que somos mais gordos que os nossos ancestrais?

“Esta é a pergunta de um milhão de dólares”, afirma o investigador.

Existem diversos motivos. Um deles é porque ingerimos mantimentos altamente processados, segundo Pontzer. Nós eliminamos as fibras e proteínas, acrescentando açúcares e óleos, além de aditivos e aromatizantes artificiais.

Pontzer acrescenta que o nosso corpo é prestes para consumir mantimentos simples, mas a comida vendida nos supermercados não vem diretamente das árvores ou da terreno, nem dos caçadores de animais. Por isso, não é fácil consumir de maneira mais saudável.

“Eu tento evitar os mantimentos altamente processados, mas não sou perfeito, nem tenho dieta restrita”, conta. “Uma vez que muitas pessoas, às vezes sou vítima da tentação de consumir a deliciosa comida processada”.

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