Em 2010, Jane “adivinhou” uma pandemia. Seguem-se internet e clima

0
488

Meet the Media Guru / Wikimedia

Jane McGonigal

Jane McGonigal vai para além do mundo do design e da criação de jogo de vídeo. E vai para além do seu tempo, aparentemente.

Se quero mudar a minha vida, não devo pensar no que pode acontecer no próximo ano. Devo pensar num prazo de 10 anos.

Jane McGonigal vai para além do mundo do design e da criação de jogos. E vai para além do seu tempo, aparentemente.

O primeiro parágrafo deste artigo é uma ideia da própria Jane, no seu livro Imaginable: How to See the Future Coming and Feel Ready for Anything―Even Things That Seem Impossible Today.

A designer acredita assim que nos devemos preparar para tudo – incluindo coisas que, hoje, parecem impossíveis.

“Quando damos esses prazos longos, sentimo-nos ricos em tempo. E quando nos sentimos ricos em tempo, pensamos: “Tenho todo esse tempo! Eu posso fazer o que eu quiser. Eu posso fazer o que é importante para mim”. E assim tendemos a pensar em coisas que são mais relevantes para os nossos valores mais importantes. E os futuristas adoram olhar 10 anos à frente porque isso dá-nos distância mental suficiente para pensar de forma criativa”, explicou, num programa do portal The Next Big Idea.

A própria Jane McGonigal é uma big idea: é autora de livros com grande sucesso e criou um jogo de vídeo, o SuperBetter, que ajudou mais de um milhão de pessoas a enfrentarem doenças.

Passou por uma concussão cerebral grave, em 2009. Não saiu da cama durante meses. Pensou que nunca iria sair daquele estado deteriorável.

Até que o seu conhecimento de jogos de vídeo, aliado a reflexões prolongadas e profundas, fizeram com que mudasse o seu próprio chip e criasse o SuperBetter – um jogo no qual os participantes definem uma meta de saúde ou bem-estar e convidam outros jogadores a se comprometerem com esses objectivos. É uma luta diferente, uma colaboração para resolver problemas.

Jane acredita que a tecnologia ajuda as pessoas. E acertou, neste caso: depressão, ansiedade, dor crónica, lesão cerebral… Pessoas que tinham estes problemas melhoraram por causa desse jogo. Investigações científicas confirmaram essas mudanças.

“O que realmente me fascinou na comunidade de jogos foi essa tendência que eu comecei a observar nos jogadores: desenvolvem habilidades reais, inteligência colectiva e imaginação colectiva que queriam aplicar num contexto maior – talvez ajudar a resolver alguns desafios do mundo real”, descreveu.

Imaginem uma pandemia que surge na China

Participante nas famosas palestras TED, passou a ser (ainda) mais famosa quando o coronavírus chegou.

É que a criadora convidou quase 20 mil pessoas – numa rede social privada – para imaginarem viver num mundo mergulhado numa pandemia global. Perguntou às pessoas quais são os hábitos que iriam alterar, que convívios sociais evitariam, se poderiam começar a trabalhar em casa.

Mais assustador: a pandemia imaginária – na altura, imaginária – teve início na China e iria rapidamente criar uma crise mundial.

“Gosto de descobrir como diferentes crises e rupturas se cruzam. Não era só uma questão de saúde ou epidemiológica. Estávamos a pensar em como sobreviveríamos e em como nos adaptaríamos quando os alimentos não chegassem a nossa casa, quando houvesse desinformação e teorias da conspiração sobre a pandemia espalhadas pelas mídias sociais”, recordou.

Isto…em 2010.

10 anos depois, a COVID-19 tomou conta do planeta e participantes nessa simulação escreveram a Jane: “Não entrei em pânico! Já superei o pânico e a ansiedade quando imaginámos isto há 10 anos”.

“O meu livro chama-se Imaginable porque utilizaram muito essa palavra, inimaginável, para descrever a pandemia e as suas consequências. Mas não era inimaginável. Nós simplesmente não tínhamos uma massa crítica de pessoas a imaginar isto. Tivemos 20 mil pessoas na simulação; a minha ideia é ter 20 milhões – acho que isso realmente ajudar-nos-ia a preparar o futuro”, comentou.

Já que “adivinhou” uma pandemia, devemos estar atentos a quê, nos próximos anos? “Governos a fechar a internet e migração climática”, avisou.

  ZAP //

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.