Em ato, mulheres do DF denunciam preterição do governo

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Samambaia, Região Administrativa do Província Federalista, está entre as cidades com mais casos de feminicídio da capital. De consonância com o relatório da Secretaria de Segurança pública do DF, que monitora as ocorrências policiais e processos judiciais de feminicídio, de março de 2015 a janeiro de 2022, foram registrados 134 casos consumados em todo o Província Federalista, em Samambaia são 14 registros.

Para denunciar as violações contra as mulheres da região e pedir ajuda das instituições públicas, a Reunião Popular Pela Vida de Todas as Mulheres e Meninas contra o Feminicídio Núcleo de Samambaia foi às ruas nesta quinta-feira (24). O ato aconteceu em frente ao Meio de Atenção Integral à Rapaz e ao Jovem (Caic) Helena Reis.

A moçoila Izadora de Sousa do Promanação, 8 anos, estudava na instituição. Ela foi assassinada no dia 5 de fevereiro em mais uma tentativa de feminicídio. A avó da rapaz, Eunice Maria de Souza, de 54 anos, também faleceu vítima de Adenilson Santos Costa que invadiu a residência em que sua companheira, Eudicilene de Sousa Barros, se encontrava. O duplo feminicídio ainda não consta no relatório da Secretaria de Segurança Pública.

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A representante da Reunião Popular, Monalisa Promanação, ressalta que as mulheres do Província Federalista estão abandonadas pelo Estado e que a realização do ato tem uma vez que objetivo pedir justiça às vítimas do feminicídio “invisibilizadas pelo governo” e cobrar a implementação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento às violências contra as mulheres.

“A gente não se sente acolhida pelo governo, a gente se sente abandonada. Por isso estamos cá, para pedir que o Estado acolha as recomendações da CPI do Feminicídio. Essas ações foram apresentadas e infelizmente não foram acolhidas”, observa.


Mulheres pedem um basta ao feminicídio e as violações contra as mulheres e crianças. / Foto: Roberta Quintino

Em maio pretérito foi legalizado na Câmara Legislativa do DF o Relatório Final da Percentagem Parlamentar de Questionário (CPI) do Feminicídio que apontou a preterição e inexistência de um trabalho voltado para as políticas públicas de prevenção e de atendimento às vítimas de violência doméstica por segmento do governo lugar.

O documento indica mais de 80 recomendações ao poder público a término de prometer mudanças no enfrentamento à violência contra a mulher no DF.

Chega de violência

“Nós não suportamos mais tanta violência. Cadê o governo? Cadê as políticas públicas?”, questiona a assistente social e ex-conselheira tutelar Cláudia Roble. Para ela, é urgente a ação direta das instituições para prometer às mulheres uma forma “de findar com esse ciclo de violência”.

Ela coordena um projeto de saboaria no Instituto Social do Província Federalista que atende tapume de 100 mulheres. “Precisamos prometer às mulheres independência financeira, fabricar oportunidades para que a mulher dê um basta na violência”.

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Para a coordenadora do projeto Eu Me Protejo, Neusa Maria, as mulheres e crianças são invisíveis ao poder público e “quando são pretas e pobres” a invisibilidade é ampliada. Nesse sentido, a coordenadora pede que sejam acionadas políticas públicas “interseccionais e transversais que atinjam todas as mulheres e crianças. Nós não aguentamos mais tantas mortes na periferia”.



O ato lembrou da moçoila Izadora, de 8 anos e sua avó Eunice, vítimas de feminicídio no dia 5 de fevereiro. / Foto: Roberta Quintino

Manifesto

A Reunião Popular pela vida de todas as Mulheres e Meninas Núcleo de Samambaia emitiu um manifesto no qual indica que, desde 2019, movimentos se organizam “para denunciar o descaso do GDF com a implementação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento às violências de gênero”.

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“Junto à CPI do Feminicídio da CLDF e ao Ministério Público denunciamos a estruturação tardia da Secretaria da Mulher, que só teve sua estrutura e conhecimento publicadas em agosto de 2020, em seguida judicialização da demanda. Em 2022, ainda não contamos com um Projecto Distrital de Enfrentamento aos Feminicídios, pois o GDF não tirou do papel as legislações e recomendações da CPI do Feminicídio” afirma o documento.

No manifesto, as organizações exigem a geração de um Meio Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) em Samambaia e recomposição do quadro de especialistas da Curso de Assistência Social lotados no NAFAVD de Samambaia, para atendimento às mulheres em situação de violência e familiares.

Natividade: BdF Província Federalista

Edição: Flávia Quirino

Natividade: Brasil de Indumento

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