Estudantes universitários de BH se manifestam contra cortes de

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Aconteceu nesta terça (26), em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, um ato que reuniu estudantes de graduação e pós-graduação em defesa da ciência e da pesquisa no Brasil. A manifestação faz parte do dia nacional de mobilização convocado pela Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por outras 25 entidades.

No dia 15 de outubro, foi sancionado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, um corte de R$ 600 milhões no setor científico, a pedido do Ministério da Economia. Esse valor corresponde a 92% dos recursos para a ciência, tecnologia e inovação, aprovado pelo Congresso Nacional, a pedido do Ministério da Economia. A decisão afeta diretamente as bolsas de apoio à pesquisa e projetos já previstos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

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“Uma atitude que não podemos aceitar, especialmente neste momento do país, que enfrenta uma crise sanitária, econômica e social”, afirma as entidades que convocaram o ato em manifesto, intitulado “Quanto Vale a Ciência?”, em referência aos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). 


Manifesto “Quanto vale a ciência?” / Divulgação

Atualmente, o FNDCT tem cerca R$ 2,7 bilhões para serem liberados e utilizados ainda em 2021, porém, entidades denunciam que a liberação da verba tem sido dificultada pelo governo federal. Segundo Lívia Macedo, da ANPG, o cenário é preocupante. “Nós já denunciamos o apagão da ciência que é resultado dos sucessivos ataques à universidade. A cada ano, o orçamento da ciência vai diminuindo”, preocupa-se.

Impactos dos cortes de recurso

Além dos recentes cortes de investimento, bolsas de estudo de pós-graduandos estão há oito anos sem reajuste.  Para Lívia, esse contexto deixa os pesquisadores sem perspectivas. “O pesquisador pós-graduando que está em processo de formação e, ao mesmo tempo, contribui com a produção científica no Brasil, está sendo sobrecarregado, cobrado e pressionado para cumprir prazo de produtividade. Só que ele está cada vez mais desvalorizado porque, além de tudo, ao sair da pós-graduação, não existe uma incorporação por parte do Estado desse pesquisador”, afirma.

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Segundo Lívia, as entidades querem que o orçamento do FNDTC seja recomposto e investido no reajuste de bolsas de jovens pesquisadores.  “Queremos a criação de políticas públicas que ofereçam perspectivas para os jovens doutores. E isso não tem a ver só com as condições para os pesquisadores porque a ciência vai muito além da discussão sobre os direitos de quem produz ciência. Quando a gente fala em ciência, estamos falando de uma chance do nosso país sair dessa crise”. Aponta.

Atualmente, o valor das bolsas de mestrado é R$ 1.500 e de doutorado é R$ 2.200.



Na foto a coordenadora da Associação de pós graduando da PUC Minas, Bruna Camilo. “Estamos em frente a ALMG contra os cortes dos governos Bolsonaro e Zema”, declara a estudante. / Divulgação

Conquista dos pesquisadores

Na segunda (25), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) anunciou o reajuste de 25% no valor das mensalidades das bolsas de formação, que beneficiará um total de 4.368 bolsistas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

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Para Stella Gontijo, vice-presidenta da ANPG, há uma tendência em Minas Gerais de seguir a política federal de desvalorização da ciência e dos pesquisadores, considerando os sucessivos atrasos no pagamento desde 2019. “O reajuste é uma grande vitória em nosso estado, resultado de muita luta”, comemora. 

Programas para licenciatura também estão em risco

A estudante de pedagogia da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e diretora da UNE Paula Silva enfatiza que o dia de luta é muito importante. Além da defesa da ciência e do fortalecimento das agências de fomento, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o CNPq, estudantes das licenciaturas estão mobilizados em defesa do Programa de Iniciação à Docência (Pibid) e das Residências Pedagógicas. 

“O Pibid e as Residências Pedagógicas são fundamentais para a formação de professores e professoras. Os programas fazem com que a gente forme profissionais com mais qualidade”, avalia Paula. As Residências Pedagógicas são ações que integram a Política Nacional de Formação de Professores e têm por objetivo aperfeiçoar a formação prática nos cursos de licenciatura, promovendo a imersão do licenciando nas escolas de educação básica.

Os estudantes que participam dos programas recebem bolsas para desempenhar suas atividades. Porém, neste mês os licenciandos ainda não receberam a bolsa. “Isso coloca em risco a manutenção da vida desses estudantes e a permanência dos programas”, aponta Paula.

Próximos passos

Ainda nesta semana, no dia 28 de outubro, entidades retornam às ruas contra a Reforma Administrativa do Governo Federal.

Repercussão online

Na internet, diversas lideranças políticas e pesquisadores demonstraram indignação com a falta de valorização da ciência. Utilizando a hashtag #sosciência, reivindicam mais investimento na ciência e na educação.

 

 

 

Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Larissa Costa

Fonte: Brasil de Fato

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