Há cada vez mais corpos em Portugal a mumificar-se misteriosamente

0
7934

Daniil Vasiliev / Wikimedia

Os corpos enterrados em Portugal estão a demorar mais tempo a decompor-se ou logo a mumificar-se completamente, sem explicação aparente. Isto traz problemas na gestão do espaço dos cemitérios.

Há um maravilha estranho a suceder nos cemitérios portugueses — os corpos não se estão a desintegrar em seguida serem enterrados e estão a mumificar-se naturalmente, sem explicação aparente.

Desde os anos 60 que, face à falta de espaço nos cemitérios, Portugal avançou com a exumação rotineira dos sobras mortais. A teoria é aproveitar o espaço ao sumo, já que os corpos decompostos cabem em caixões mais pequenos.

Tapume de três anos depois do funeral, a família do falecido recebe uma missiva a avisar que nascente procedimento será feito em breve. A lei define que os sobras mortais só podem ser levados para um caixão mais pequeno se todos os tecidos macios se tiverem putrefacto, restando somente o esqueleto.

Para verificarem o estado de desagregação, os coveiros têm de desenterrar o caixão e caso esta não esteja avançada o suficiente, o corpo é enterrado outra vez. O processo é repetido a cada dois anos até ao momento em que só restem as ossadas e a mudança possa ser feita.

Mas muitos dos corpos não se estão a desintegrar. Os dados dos cemitérios do Porto mostram que entre 55% e 64% dos corpos analisados entre 2006 e 2015 não estavam totalmente decompostos depois da sua primeira exumação, relata a Business Insider.

Em alguns casos, os corpos simplesmente demoraram mais do que o esperado a decompor-se. No entanto, há cada vez mais exemplos de mortos que se transformam naturalmente em múmias.

Ao contrário das famosas múmias egípcias, que eram preservadas de propósito, estas múmias portuguesas estão a nascer de forma espontânea. Esta mumificação acontece quando o corpo seca tão rápido que a desagregação simplesmente pára, e já foi observada em ambientes extremos, porquê desertos ou glaciares.

O mistério português

Mas Portugal não tem um clima desértico nem glaciar. Finalmente, o que se passa nos nossos cemitérios?

A antropóloga judicial Ângela Silva Bessa, da Universidade de Coimbra, está a tentar interpretar nascente esfinge para a sua tese de doutoramento e já recolheu amostras de corpos e do solo envolvente em cinco cemitérios diferentes.

É bastante surpreendente. Na mesma troço do cemitério, há estados diferentes de desagregação. Até no mesmo corpo, posso ter o esqueleto do corpo, a extensão da pélvis em putrefação e as mãos mumificadas. Podemos encontrar de tudo”, explica.

A profissional testou oito propriedades do solo que poderiam influenciar a desagregação dos corpos, incluindo a temperatura, a humidade, a contaminação com metais pesados, a acidez e a material orgânica. A resposta foi a mesma: zero.

“Sinceramente, pensava que encontraria pelo menos uma relação entre as propriedades do solo e o estado de desagregação do corpo. E não encontrei”, responde. O próximo passo é tentar deslindar uma reciprocidade entre a desagregação e as substâncias que os falecidos tomaram enquanto estavam vivos, porquê os medicamentos ou se eram ou não fumadores.

Silva Bessa recorda ainda o impacto emocional que as constantes exumações têm nos entes queridos dos mortos e sublinha que nascente maravilha da mumificação — e a consequente falta de espaço nos cemitérios — têm levado a que cada vez mais portugueses optem pela cremação.

“Isto tem um grande impacto social no país. Há 15 anos, tínhamos quatro crematórios. Agora, temos 38”, remata.

  Adriana Peixoto, ZAP //

Deixe um comentário