Maior parte dos abortos acontecem devido a erros genéticos

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hubeRsen / Flickr

De acordo com o maior estudo alguma vez realizado sobre este tema, a maior pare dos abortos acontece devido a erros genéticos.

Depois de analisar o tecido de quase 25.000 abortos espontâneos, os investigadores descobriram que mais de metade foram causados por anomalias cromossómicas aleatórias, sendo muitas das perdas restantes devido a erros genéticos indetetáveis.

Mais de metade das perdas de gravidez são causadas por anomalias cromossómicas que ocorrem aleatoriamente em embriões e fetos, segundo o maior estudo sobre este assunto, noticia a New Scientist.

Ter um aborto espontâneo é, na maior parte das vezes, algo bastante traumático traumático e deixa as mulheres a pensar o que realmente aconteceu.

Um inquérito norte-americano publicado na Reproductive Biomedicine Online descobriu que 41% das pessoas que perderam uma gravidez pensavam ter feito algo de errado, como levantar objetos pesados ou estar demasiado stressadas.

No passado, não havia forma de saber o que causava o fim de algumas gravidezes, mas os avanços nos testes genéticos permitem agora que os tecidos de abortos sejam analisados, para serem descobertas as possíveis causas.

“Os médicos estão cada vez mais a enviar-nos estas amostras para que possam dar respostas aos pacientes e ajudá-los a tentar superar a culpa que muitas vezes se verifica”, sublinha Trilochan Sahoo na Invitae, uma empresa de testes genéticos sediada na Califórnia.

Das 24.900 amostras analisadas pela empresa — das quais 98% eram de embriões e fetos naturalmente concebidos — 56% apresentavam anomalias cromossómicas.

Esta percentagem incluía cromossomas extra ou em falta, bem como cromossomas com segmentos duplicados ou eliminados.

As anomalias provavelmente impediram a progressão da gravidez porque tornaram os embriões e os fetos incompatíveis com a vida, realça Sahoo.

Cerca de 65% das amostras provinham dos chamados abortos esporádicos, ou “perdas de gravidez aleatórias”, refere o especialista.

Outros 22% provinham de pessoas que apresentavam abortos recorrentes e 10% eram de natimortos, perdas de gravidez após 20 semanas de gestação. As restantes amostras provinham de formas mais raras de perda de gravidez. Todos os abortos espontâneos ocorreram com oito semanas de gestação ou mais tarde.

As anomalias cromossómicas são comuns em embriões humanos devido a erros aleatórios que podem acontecer quando os óvulos e os espermatozoides se dividem e multiplicam nos ovários ou testículos, antes de ocorrer a conceção.

Se os cromossomas forem copiados de forma imperfeita durante esta divisão celular e “se o óvulo ou espermatozoide resultante for fertilizado, o resultado é um embrião geneticamente desequilibrado”, clarifica Sahoo.

Erros cromossómicos semelhantes podem também acontecer quando as células do embrião inicial se dividem e multiplicam, salienta Shawn Chavez, da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon.

Nos 56% dos casos em que foi encontrada uma anomalia genética, pode ter sido reconfortante para as pessoas saberem que a perda de gravidez não se deveu a nada do que fizeram ou a algo que estava errado com elas, indica Sahoo. “Mas ainda estamos a tentar encontrar respostas para os outros 44%”, acrescenta.

Uma percentagem destes outros abortos pode ter sido causada por mutações em genes únicos que não puderam ser detetadas com os métodos atuais, cuja resolução não são suficientemente alta para captar mutações mais pequenas.

Segundo Sahoo, a equipa de investigação ainda está a trabalhar e a tentar concebem formas de identificar este tipo de mutações.

Alguns dos outros 44% dos abortos podem ter sido causados por certas condições médicas, como o hipotiroidismo e a endometriose, que são conhecidos por aumentar o risco de perda de gravidez, adiciona Chavez.

Vários fatores ambientais como o stress, o tabagismo e a exposição à poluição atmosférica foram também associados a um risco ligeiramente maior de aborto, mas provavelmente causam apenas uma pequena fração das perdas de gravidez.

“Desempenham um papel muito mais insignificante do que as anomalias cromossómicas, de certeza”, garante Chavez.

  Alice Carqueja, ZAP //

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