Memórias embaraçosas causam sentimentos de vergonha recorrentes

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suelenpessoa / Flickr

A todos já nos aconteceu: estamos a realizar alguma tarefa e, de repente, lembramo-nos de alguma situação constrangedora pela qual passámos ou que nos causou embaraço. Nesse momento, voltamos a sentir vergonha. Mas por que ainda nos sentimos tão envergonhados devido a um tanto do pretérito?

Segundo relatou o Science Alert, o pensamento atual indica que existem duas maneiras pelas quais nos lembramos de experiências do pretérito.

Uma maneira é premeditado e voluntária e é involuntária e espontânea, segundo um cláusula do psicólogo David John Hallford, da Universidade Deakin, publicado no Science Alert.

Se nos tentarmos lembrar do que fizemos no trabalho no dia anterior ou o que almoçamos no último sábado, trata-se de um processo deliberado, durante o qual procuramos a memória em nossas mentes – trata-se, assim, de uma memória premeditado e voluntária.

No caso de memórias que surgem de repente e podem ser indesejadas ou intrusivas, já se trata da segunda opção – uma memória involuntária e espontânea.

Segmento da resposta está em porquê as memórias estão conectadas umas às outras. O entendimento atual é que as nossas experiências passadas são representadas nos neurónios. Estes desenvolvem conexões físicas uns com os outros, através da sobreposição de informações nessas representações.

Por exemplo, as memórias podem partilhar um tipo de contexto (diferentes praias em que estivemos, restaurantes em que comemos), ocorrer em períodos semelhantes da vida (puerícia, juventude ou temporada adulta) ou ter sobreposição emocional e temática (situações em que demonstrou paixão ou nas quais discutiu com alguém).

A ativação inicial de uma memória pode ser desencadeada por um incentivo extrínseco (visões, sons, sabores, cheiros) ou um incentivo interno (pensamentos, sentimentos, sensações físicas). Uma vez que os neurónios que contêm essas memórias são ativados, as memórias associadas são mais propensas a serem lembradas.

Um exemplo pode ser passar por uma panificação, sentir o cheiro de pão fresco e ter um pensamento instintivo do último término de semana no qual preparou uma repasto para um camarada. Nem toda ativação levará a uma memória consciente e, às vezes, as associações entre as memórias podem não ser totalmente claras.

Por que as memórias nos fazem sentir?

Quando as memórias vêm à mente, muitas vezes experimentamos respostas emocionais. Na verdade, as memórias involuntárias tendem a ser mais negativas do que as memórias voluntárias. As memórias negativas também tendem a ter um tom emocional mais possante do que as memórias positivas.

Os humanos são mais motivados a evitar resultados ruins, situações ruins e definições ruins de si próprios do que buscar por bons resultados. Isso provavelmente se deve à premência de sobrevivência no mundo: física, mental e social.

Assim sendo, memórias involuntárias podem nos fazer sentir tristes, ansiosos e envergonhados. Por exemplo, uma memória que envolva constrangimento ou vergonha pode indicar que fizemos um tanto que outros podem encontrar repugnante ou negativo, ou de alguma forma que violamos as normas sociais.

Com essas memórias e consequentes respostas emocionais podemos aprender a gerir situações futuras. Mas, essas associações negativas podem amofinar algumas pessoas de uma forma mais intensa, causando-lhes muita angústia, dependendo do que seu estado de espírito ou do momento que atravessa.

Se nos sentimos tristes, é mais provável que nos lembremos de memórias relacionadas a deceções, perda ou vergonha. Quando nos sentimos ansiosos ou mal connosco, é mais provável nos tenhamos lembrado de momentos em que nos sentimos assustados ou inseguros.

Em alguns casos de distúrbio mental, porquê a depressão, as pessoas lembram com mais frequência memórias que evocam sentimentos negativos, que lhes despertam sentimentos de vergonha ou tristeza. Ou seja, sentimentos tornam-se em factos.

Outro cenário no caso de pessoas com transtornos de saúde mental é a ruminação mental. Quando ruminamos, pensamos repetidamente em experiências negativas e porquê nos sentimos. A função da ruminação é tentar “desvendar” o que aconteceu e aprender ou resolver problemas para que essas experiências não voltem a ocorrer.

Podemos parar os sentimentos negativos?

A boa notícia é que as memórias são muito adaptáveis. Quando evocamos uma memória, podemos elaborá-la e mudar os nossos pensamentos, sentimentos e avaliações de experiências passadas.

Num processo terapêutico divulgado porquê “reconsolidação”, mudanças podem ser feitas para que a próxima vez que essa memória venha à tona seja dissemelhante do que era antes e tenha um tom emocional desfigurado.

Por exemplo, podemos nos lembrar de um momento em que nos sentimos ansiosos com um teste ou uma entrevista de ofício que não correu tão muito e nos sentimos tristes ou envergonhados.

Refletir, elaborar e reformular essa memória pode passar por lembrar de aspetos que correram muito, integrá-los à teoria de que se tratava de um repto e lembrar a si mesmo que não há problema em se sentir ansioso ou desapontado perante a dificuldade e que isso não representa a pessoa que, de facto, é.

Quanto à ruminação, um dos truques passa por reconhecer quando está a ocorrer e tentar desviar a atenção para uma tarefa (por exemplo, fazer um tanto com as mãos ou focar em imagens ou sons). No universal, embora o nosso cérebro nos traga lembranças das nossas experiências, não precisamos permanecer presos ao pretérito.

  ZAP //

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