Mortos-vivos podem pensar? Bactéria adormecida diz que sim

0
4198

Kaito Kikuchi, Leticia Galera / Süel Lab

Imagem microscópica revela vários esporos com potencial eletroquímico.

A atividade inesperada em células bacterianas adormecidas dá uma teoria de porquê é verosímil sobreviver em condições extremas.

Quando as condições se tornam um pouco extremas, algumas bactérias são capazes de entrar num estado dormente, onde os seus processos de vida param.

Estas células “não mortas”, chamadas esporos, podem resistir a imensas tensões enquanto estão neste estado, incluindo calor extremo, pressão, mesmo as duras condições do espaço exterior, e podem permanecer assim durante milhares de anos.

Depois, quando as condições se tornam novamente favoráveis, os esporos que permaneceram adormecidos durante anos podem contratar e ressuscitar numa questão de minutos — porquê um zombie a transpor da sepultura.

Os cientistas descobriram agora que estes esporos têm a extraordinária capacidade de determinar o envolvente circundante, enquanto estão neste estado fisiologicamente morto, de concórdia com um novo estudo, publicado a 6 de outubro na Science.

Os investigadores descobriram ainda que os esporos libertam gradualmente vigor eletroquímica armazenada, o que lhes permite calcular qual o momento patente para retomar a atividade biológica normal — mesmo quando os sinais ambientais são vagos e não indicam claramente condições favoráveis, avança a Cosmos.

 

O vídeo retrata o potencial eletroquímico codificado por cores sobreposto à imagem de um único esporo. Revela que o esporo permanece letargo enquanto exibe a capacidade de descrever estímulos, porquê indicado pelos flashes multicoloridos de alterações do potencial eletroquímico.

“Leste trabalho muda a forma porquê pensamos sobre os esporos, que eram considerados objetos inertes”, realça Gürol Süel, professor no Departamento de Biologia Molecular da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA.

“Mostramos que as células num estado profundamente letargo têm a capacidade de processar informação”, acrescenta o investigador.

“Descobrimos que os esporos podem libertar a sua vigor eletroquímica armazenada, para realizar um cômputo sobre o seu envolvente, sem a premência de atividade metabólica”, relata ainda Süel.

Muitas espécies de bactérias formam esporos — células parcialmente desidratadas rodeadas por um revestimento protetor resiliente — sendo uma delas o Bacillus anthracis, a bactéria que desculpa o Antrax.

Utilizando um padrão matemático e experiências com esporos de Bacillus subtilis adormecidos, Süel e os restantes investigadores conseguiram instaurar que as bactérias eram capazes de detetar e descrever sinais ambientais de curta duração, excessivo fracos para desencadear um revinda à vida por si próprias.

As bactérias fazem-no libertando qualquer do seu potássio armazenado, em resposta a cada pequena ingressão, até ser atingido um limiar crítico, transformando o esporo num estado ativo.

“A forma porquê os esporos processam a informação é semelhante à forma porquê os neurónios operam no nosso cérebro”, sublinha Süel. “Tanto nas bactérias porquê nos neurónios, pequenos e curtos inputs são adicionados ao longo do tempo, para instaurar se um limiar é atingido.

“Ao atingir o limiar, os esporos iniciam o seu revinda à vida, enquanto os neurónios disparam um potencial de ação para remeter com outros neurónios”, nota Süel.

Esta invenção pode influenciar a procura de vida além da Terreno. “Leste trabalho sugere formas alternativas de mourejar com a potencial ameaço representada pelos esporos patogénicos e tem implicações no que se pode esperar da vida extraterrestre”, relata Süel.

“Se os cientistas encontrarem vida em Marte ou Vénus, é provável que ela esteja num estado dormente, e sabemos agora que uma forma de vida que parece estar completamente inerte pode ainda ser capaz de pensar nos seus próximos passos”, conclui o investigador.

  Alice Carqueja, ZAP //

Deixe um comentário