“Muito estranhos”. Halos de material escura confundem astrónomos

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Um novo estudo descobriu que os halos de material escura das galáxias ultra-difusas são bastante estranhos, levantando questões sobre a formação de galáxias e a estrutura do universo.

O novo estudo, publicado em setembro no The Astrophysical Journal, foi liderado por físicos da Universidade da Califórnia, Riverside (UCR) e da Irvine (UCI).

O nome “ultra-difusas” refere-se à luminosidade excessivamente baixa dessas galáxias. Ao confrontar com a distribuição de bariões — gás e estrelas — em galáxias “normais”, nas galáxias ultra-difusas está significativamente mais espalhada.

Hai-Bo Yu, professor de física e astronomia na UCR, analisou as descobertas do novo estudo sobre as galáxias ultra-difusas recentemente encontradas e os seus halos de material negra, em entrevista ao Sci Tech Daily.

Uma resplendor de material escura é uma “resplendor de material invisível que permeia e envolve uma galáxia ou um aglomerado de galáxias”, explica Yu.

Embora nunca tenha sido detetada em laboratórios, “os físicos estão confiantes de que a material escura, que constitui 85% da material do universo, existe”, admite.

“As galáxias ultra-difusas que estudámos são muito menos maciças em conferência, digamos, com a Via Láctea”, sublinha o docente.

“No entanto, contêm muito gás e têm uma volume de gás muito superior à volume estelar totalidade, o que é o oposto ao que vemos na Via Láctea”, acrescenta.

A distribuição de material escura nestas galáxias pode ser calculada a partir do movimento das partículas de gás, explica o físico.

“O que realmente nos surpreende é que a presença da própria material de bariões, predominantemente sob a forma de gás, é quase suficiente para explicar a velocidade das partículas de gás e deixa pouco espaço para a material escura nas regiões interiores, onde se encontra a maioria das estrelas e gás”, revela Yu.

Esta invenção é “surpreendente” tendo em conta que, no caso de galáxias normais, cujas massas são semelhantes às das galáxias ultra-difusas, é o oposto: “a material escura domina sobre a material de bariões”.

Os investigadores concluíram que estes halos de material escura devem ter “concentrações” muito mais baixas. Ou seja, contêm muito menos volume nas suas regiões interiores, em conferência com as das galáxias normais. Assim, os halos de material escura das galáxias ultra-difusas são “estranhos”, realça Yu.

À primeira vista, seria de esperar que estes halos de baixa concentração sejam tão raros que as galáxias ultra-difusas “nem sequer existiriam”.

No entanto, depois de olhar para os dados de simulações de estrutura cósmica de última geração, a equipa de investigação descobriu que “a população de halos de baixa concentração é mais elevada do que expectavam”.

Os físicos descobriram que as galáxias ultra-difusas rodam mais lentamente do que as normais com massas semelhantes, mas ainda há muitas questões sem resposta, nomeadamente relativas “à formação e evolução destas galáxias recém-descobertas”.

Por exemplo, as galáxias ultra-difusas contêm muito gás e não se sabe porquê é que é retido durante a formação da galáxia. Os resultados indicam também que estas galáxias podem ser mais jovens do que as galáxias normais. A formação das galáxias ultra-difusas não é muito compreendida, e é necessário mais estudos.

“As galáxias ultra-difusas recentemente descobertas proporcionam uma novidade janela para testar a nossa compreensão relativa à formação de galáxias, e provavelmente até à natureza da material escura”, conclui Yu.

  ZAP //

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