No campo e na cidade, mulheres se unem contra o machismo e

0
4719

Mulheres de mais 40 cidades, em todas as regiões do Brasil, marcharam nesta terça-feira (8), Dia Internacional da Mulher. O lema “Pela Vida das Mulheres, Bolsonaro nunca mais! Por um Brasil sem machismo, sem racismo e sem inópia!” deu o tom dos protestos, que não ficaram somente no reza. 

:: Ao vivo: acompanhe as manifestações do Dia Internacional da Mulher nesta terça-feira (8) ::

Além de ocuparem ruas dos centros urbanos, mulheres integrantes de organizações populares articularam a tarifa feminista com ações políticas concretas no campo, fortalecendo a luta em obséquio da terreno, da cultura familiar e contra a violência de gênero.

Casas de guarida são inauguradas

Pela manhã em Recife (PE), o Movimento de Mulheres Olga Benário (MMOB) ocupou um imóvel esquecido para a geração de uma Vivenda de Referência para mulheres vítimas de violência. Batizado de Meio de Referência Soledad Barrett, o sítio já está de portas abertas para receber mulheres que rompem com o ciclo da violência e precisam de abrigo.

O MMOB inaugurou, também, a Vivenda de Referência da Mulher Almerinda Gama no meio do Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa surge da primeira ocupação organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário no estado. O imóvel estava vazio havia mais de oito anos, sem executar função social, segundo o movimento. 

“Com esta ação, o Movimento Olga Benário labareda atenção para os números alarmantes de violência de gênero, que apesar de subnotificados já se mostram muito superiores à capacidade de atendimento das ferramentas oferecidas pelo Estado”, disse o movimento em nota.

:: Mulheres ocupam imóvel e criam Meio de Referência para vítimas de violência no Recife ::


Ocupação no meio do Rio tem objetivo cobrar ações diretas do poder público / Divulgação

Câmara e Secretaria estadual ocupadas 

Em Porto Prazenteiro (RS), mais de 200 agricultoras ocuparam, na manhã desta terça-feira (8), o recinto da Secretaria Estadual de Lavradio em Porto Prazenteiro. Elas cobram ações do governo do estado para amenizar os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul. Já ocorreram conversas com representantes do governo estadual, mas pouco foi feito até cá, assinalam as mulheres.

“As nossas famílias ainda estão sofrendo com a estiagem. Por isso estamos cá novamente. Nós precisamos de ajuda urgente, diante de tantos prejuízos causados pela seca”, diz Silvia Reis Marques, produtora e dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno no Rio Grande do Sul (MST-RS).

:: Mulheres camponesas ocupam recinto da Secretaria da Lavradio e garantem audiência ::



Agricultoras cobram ações do governo do estado para amenizar os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul / Foto: Maiara Rauber

Ainda na capital gaúcha, assentadas e acampadas do MST doaram 4 toneladas de víveres da reforma agrária. O sorte são as cozinhas comunitárias da periferia de Porto Prazenteiro. 

A Câmara de Vereadores de Feira de Santana (BA) também foi ocupada pela marcha que saiu da prefeitura da cidade. A ação ocorreu durante uma sessão solene promovida pelo Legislativo municipal. Mais cedo, o ato na cidade baiana teve início com moca da manhã feito a partir da produção das trabalhadoras rurais. A mobilização teve a presença de movimentos sociais, partidos políticos, trabalhadoras do campo e da cidade e estudantes.

MTST pede cassação de “Mamãe Falei”

Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizaram uma ação em repúdio às falas machistas de Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, sobre as mulheres ucranianas. Em frente à sede do Podemos em São Paulo (SP), mulheres cobraram uma posição do partido, além da cassação do procuração do deputado estadual pela Reunião Legislativa de São Paulo. 

Em áudios gravados pelo parlamentar em viagem à Ucrânia, Arthur do Val afirmou que mulheres ucranianas são “fáceis, porque são pobres”, entre outros comentários misóginos e machistas. 

:: Pressionado por declarações misóginas, Arthur do Val retira pré-candidatura ao governo de SP ::

O 8 de março no campo 

Também na Bahia, murado de 100 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno (MST) ocuparam a Herdade Botafogo, dimensão improdutiva de 313 hectares no município de Jussari (BA), com objetivo de promover a reforma agrária. A ação faz segmento da Jornada Pátrio de Luta das Mulheres Sem Terreno, com o lema: Terreno, trabalho, recta de viver.

Outra propriedade improdutiva, a quinta Frutelli, foi ocupada por 500 mulheres em Itabela (BA). A propriedade é pertencente à empresa falida Frutelli culturas Tropicais, que tinha porquê principal atividade econômica o cultivo de banana, hoje esquecido. O ato denunciou a falta de crédito para as trabalhadoras rurais, o feminicídio, o uso condenável de agrotóxicos e a inópia no Brasil. 

Leia também: Jornada de lutas das mulheres sem terreno do Paraná terá atos e ações de solidariedade

Em Estreito (MA), a revelação foi para denunciar os impactos da Usina Hidrelétrica do Consórcio Estreito Virilidade sobre famílias de pescadores. Muitas delas ficaram sem casas posteriormente a proémio de comportas do empreendimento. Os manifestantes reivindicam ainda uma parlamento coletiva com as famílias afetadas, com comitiva e esteio do MST. 

Impactos de grandes empreendimentos também motivaram protestos no assentamento Sabiaguaba, em Amontoada (CE). Mulheres, jovens e crianças protestaram, sobretudo, contra prejuízos à cultura familiar provocados pela instalação de parques eólicos. Além do MST, participaram do ato o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), com o esteio do Projeto ECO Icaraí.

Edição: Rebeca Cavalcante

Manancial: Brasil de Roupa

Deixe um comentário