Novo algoritmo consegue “ler” os nossos pensamentos

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Ministério da Saúde / Flickr

A partir de uma sonância magnética, a tecnologia consegue prever com grande precisão uma história que um participante tenha ouvido enquanto fazia o inspecção. A equipa quer usar o algoritmo para ajudar pessoas que não conseguem falar ou redigir.

Pela primeira vez, os cientistas criaram um método que usa ressonâncias magnéticas para “ler” os nossos pensamentos. Num estudo disponível na bioRxiv e que ainda não foi revisto por pares, os autores explicam que o algoritmo consegue “descodificar” os pensamentos de uma pessoa durante a sonância.

“Se tivesse perguntado a qualquer neurocientista cognitivo no mundo há vinte anos se isso era provável, eles teriam rido“, afirma Alenxader Huth, neurocientista na Universidade do Texas e comparte do estudo.

O principal tropeço neste tipo de investigações é a velocidade da recolha dos dados com as ressonâncias, que é bastante mais lenta do que a velocidade dos neurónios que geram os pensamentos humanos. A equipa contornou levante problema ao não se focar em interpretar o pensamento vocábulo a vocábulo, mas antes tentar perceber o significado universal de uma frase pensada.

Os investigadores recrutaram três participantes — uma mulher e dois homens, todos na mansão dos 20 ou 30 anos — que ouviram 16 horas de podcasts e histórias em formato áudio.

A equipa depois deu os resultados das ressonâncias ao algoritmo de computador a que chamam “descodificador“, que comparou os padrões do áudio com os padrões da atividade cerebral gravada.

O algoritmo criou depois uma história com base nestes dados que foi comparada com os conteúdos que os voluntários ouviram durante a experiência. De pacto com Huth, a correspondência foi “muito boa” e o descodificador antecipou o teor universal da história tendo por base a diligência cerebral dos participantes.

Dito isso, o algoritmo ainda não é perfeito e cometeu alguns erros, uma vez que trocar os pronomes das personagens e o uso da primeira e da terceira pessoa. Ele “sabe o que está a ocorrer com bastante precisão, mas não sabe quem está a fazer as coisas”, explica Huth ao The Scientist.

Em testes seguintes, o algoritmo conseguiu ainda prever com precisão um filme mudo que os participantes viram enquanto faziam uma sonância e até conseguia recontar uma história que os voluntários simplesmente imaginaram nas suas mentes.

Huth afirma ainda que está cônscio de que uma tecnologia que consegue “ler mentes” pode ser considerada “sinistra” e sublinha que a equipa teve em conta as preocupações com a privacidade, caso levante algoritmo fosse usado em alguém sem o seu consentimento.

Para isto, fizeram testes onde pediram aos participantes que se distraíssem dos conteúdos a que estavam a ser expostos e notaram que debutar a imaginar animais e pensar nos seus nomes foi a forma mais eficiente de bloquear a leitura dos pensamentos pelo algoritmo.

A equipa lembra ainda que a tecnologia não funciona numa pessoa aleatória e que requere imensas horas e sessões de treino para se ajustar a alguém em específico.

Os autores querem debutar a desenvolver esta tecnologia para que possa ser usada para ajudar máquinas a trasladar os pensamentos de pessoas que não consigam falar e cujos problemas de mobilidade também as impeçam de redigir.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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