Novo jogo de vídeo estimula memória (limitado prazo) de idosos

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stevepb / Pixabay

Dois grupos de maiores de 60 anos. Um jogou Rhythmicity, outro jogou sopa de letras. E as diferenças foram evidentes.

Jogos de vídeo, jogos de consola. Uma rotina para milhões de pessoas, um vício – ou doença – para milhões de jovens.

Não é normal vermos uma pessoa mais velha jogar. Mas até pode ser lucrativo para a sua memória a limitado prazo.

Envelhecer costuma ser sinónimo de declínio no controlo cognitivo, declínio na memória a limitado prazo. Mas a tecnologia pode ajudar.

Rhythmicity é um jogo novo, que contou com a colaboração de Mickey Hart, que foi baterista (e fundador) do grupo Grateful Dead. Um jogo fundamentado em ritmos musicais.

O Rhythmicity oferece pistas visuais, treinando os jogadores a tocar um determinado ritmo num tablet, telemóvel ou computador. Conforme o jogador vai evoluindo no jogo, também o ritmo, a complicação e a precisão necessárias vão sendo ajustadas.

Os autores do jogo analisaram os resultados. O estudo, que foi publicado na semana passada na revista científica PNAS, contou com a colaboração de dois grupos, nos quais todas pessoas tinham entre 60 e 79 anos.

Um grupo jogou Rhythmicity durante oito semanas. Cinco dias por semana, 20 minutos por dia.

O outro grupo jogou sopa de letras, com a mesma frequência.

E a diferença foi evidente: quem jogou Rhythmicity, devido à percepção visual e atenção selectiva do próprio jogo, ficou com uma memória de limitado prazo melhorada – o que foi comprovado depois, num tirocínio de reconhecimento facial.

Nesse tirocínio, foram apresentados rostos desconhecidos. Os participantes do grupo do Rhythmicity acertaram mais vezes na associação dos rostos.

Ou por outra, os exames de eletroencefalografia, que registam a diligência do cérebro, demonstraram que a diligência no lobo parietal superior tinha aumentado (lobo parietal superior é a região do cérebro ligada à leitura de música e memória visual de limitado prazo).

Oriente estudo “forneceu evidências importantes de que o treino de ritmo músico pode beneficiar o desempenho numa tarefa não músico”, defendem os autores do estudo.

O portal Science Alert explica que o Rhythmicity vai mudando o nível de dificuldade durante a experiência – para incentivar o jogador a melhorar, mas sem se tornar excessivo difícil, sem estragar o momento.

“A memória melhorou em tudo, foi incrível“, sublinhou Theodore Zanto, neurocientista na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos da América.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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