Novo programa vai deixar público escolher se quer destruir quadro de Hitler

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Heinrich Hoffmann / German Federalista Archives

Um quadro de Adolf Hitler pode ser destruído, em direto, na televisão. Tudo depende da escolha do público de um novo programa britânico.

O Channel 4, um dos maiores canais televisivos do Reino Unificado, comprou uma pintura da autoria de Adolf Hitler. Num novo programa de televisão, uma audiência ao vivo terá uma séria escolha em mãos: destruir ou salvar a obra?

O quadro de Hitler é somente uma entre outras obras de autores “problemáticos” que vão ser usadas no programa “Art Trouble”. Uma obra do pedófilo Rolf Harris e do assaltante sexual Eric Gill, além de um vaso do mulherengo Pablo Picasso são outros exemplos, escreve a VICE.

A provável devastação das obras de arte é feita em estilo, com recurso a um lança-chamas. O programa televisivo, que vai ter somente um único incidente, vai ser apresentado pelo comediante Jimmy Carr.

“Uma exploração profundamente provocativa dos limites da liberdade de frase na arte e se podemos separar o calibre moral do artista do valor do seu trabalho”, lê-se no transmitido da estação televisiva.

A emissora pretende explorar a capacidade da sociedade enobrecer a arte do artista e debater “o que devemos fazer com a arte histórica que consideramos ofensiva ou foi criada por artistas que agora foram cancelados”.

Antes de o público resolver se quer ou não destruir a obra de arte, alguns defensores de cada obra terão a oportunidade de tentar convencer a audiência de que esta merece ser salva — sem, no entanto, proteger o artista.

“Haverá alguém a esgrimir não pelo Hitler, mas pelo facto de que o seu caráter moral não deve resolver se uma obra de arte existe ou não”, explicou o diretor de programação do Channel 4, em declarações ao jornal britânico The Guardian.

A CEO do Holocaust Memorial Day Trust, Olivia Marks-Woldman, disse: “Não há zero risonho ou risível sobre Hitler ou o homicídio de seis milhões de judeus e a perseguição de outros milhões. Nascente incidente do programa de televisão, Art Trouble, está a fazer de Hitler um tema de entretenimento ligeiro – isso é profundamente inapropriado e num momento de crescente distorção do Imolação, perigosamente banalizador”.

“A questão de até que ponto a arte pode estar ligada aos seus criadores é importante, mas levante programa é simplesmente um golpe de valor de choque e não pode desculpar a banalização dos horrores do nazismo”, acrescentou Marks-Woldman, citada pelo jornal inglês i.

A responsável do Holocaust Memorial Day Trust criticou ainda a escolha de um comediante para apresentar o programa.

“Escolher Jimmy Carr para liderar levante incidente é deliberadamente provocativo e inflamatório, dada a sua história de usar o homicídio de ciganos e sinti pelos nazis e seus colaboradores para obter ganhos cómicos”, atirou.

No pretérito mês de setembro, a obra “Fantasmas Sinistros” (1944), de Frida Kahlo, avaliada em dez milhões de dólares foi queimada pelo empresário Martin Mobarak.

O norte-americano justificou a ação porquê um processo para transmudar a obra em 10.000 NFT, um registo único do dedo inserido numa calabouço de ‘blockchain’, o sistema usado para as criptomoedas.

O Instituto Pátrio de Belas Artes e Literatura (INBAL) do México disse estar a investigar a devastação da obra original da pintora mexicana.

  Daniel Costa, ZAP //

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