O “divino” Michelangelo tinha alguns segredos obscuros

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Jacopino del Conte (1513–1598)

Michelangelo pintado por Jacopino del Conte.

Apesar dos dotes que fizeram de si um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo tinha alguns segredos escondidos na sua personalidade.

Michelangelo — ou Miguel Ângelo — foi um pintor, estatuário, poeta, anatomista e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte. Destacou-se na estátua com Baco, Pietà e David, e na pintura com o teto da Capela Sistina, por exemplo.

Ainda em vida foi considerado o maior artista do seu tempo. Chamavam-no de “o Divino”. Os seus dotes artísticos certamente vivam à profundidade deste cognome, mas a verdade é que a sua personalidade era complicada e documentos históricos mostram que tinha alguns segredos obscuros.

Michelangelo era rabugento e, apesar de conviver com pessoas do maior estrato social, o seu temperamento mal-humorado fez com que fugisse de socializar.

O artista até evitava ter assistentes e preferia trabalhar sozinho nas suas obras. Vários dos seus projetos levaram vários anos para serem concluídos precisamente por essa razão. Muitas vezes até se esquecia de consumir ou dormir devido à dedicação que tinha ao seu trabalho, detalha o portal Ancient-Origins.

Rab Hatfield, professor da filial de Florença da Syracuse University, diz que Michelangelo fazia-se passar por pobre, mas na verdade era muito mesquinho para mostrar a sua enorme riqueza.

“Ele era um tipo engraçado, um tanto paranoico e um tanto vergonhoso, que não queria que se soubesse que ele era fabulosamente rico”, disse Rab Hatfield, em declarações ao Los Angeles Times.

Já na sua vetustez, Michelangelo reclamou que vivia na pobreza, mas Hatfield diz que o artista acumulou uma enorme riqueza a gerar obras-primas.

Hatfield encontrou duas das contas bancárias de Michelangelo e inúmeras escrituras de compra que mostram que o artista tinha tapume de 50.000 ducados de ouro quando morreu em 1564, mais do que muitos príncipes e duques da idade.

“Michelangelo tentou dar a sensação de que os seus patronos, principalmente os papas, o tinham tratado injustamente, quando o contrário é que era verdade”, disse Hatfield. “Eles pagaram-lhe um montante extremamente bom”.

Em muitos casos, o artista italiano até aceitava pagamentos adiantados de obras que não conseguiu completar.

O papa Júlio II pagou antemão 40 estátuas em tamanho real que Michelangelo deveria gerar para o seu túmulo. No entanto, devido ao excesso de trabalho que tinha, Michelangelo unicamente completou três estátuas — embora uma delas, Moisés, esteja entre as suas obras-primas.

Falta de higiene

Um dos seus biógrafos, Paolo Giovio, observou que “a sua natureza era tão áspera e malcriada que os seus hábitos domésticos eram incrivelmente miseráveis”.

O seu noviço Ascanio Condivi, que trabalhou juntamente com Michelangelo na elaboração das suas memórias, realçou ainda que o artista tinha um estilo de vida “pouco salutar”.

“Quando ele era mais robusto, muitas vezes dormia com as suas roupas e com as botas que sempre usou por culpa das cãibras”, explicou Condivi.

“E às vezes ele demorava tanto para tirá-las que, depois, junto com as botas, a pele descolava, porquê uma ofídio”, continuou Condivi. Em 1550, Giorgio Vasari, divulgado pelas suas biografias de artistas italianos, notou que as suas botas — que eram feitas de pele de cão — desgastavam-se tanto que acabavam por se fundir com as suas pernas.

Michelangelo sofria de vários problemas de saúde, porquê osteoartrite crónica, pinga e intoxicação por chumbo. Os muitos anos passados a pintar o teto da Capela Sistina numa posição descofortável terão contribuído para a osteoatrite.

  Daniel Costa, ZAP //

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