“O Grito” de Munch foi atacado por três ativistas. Só um vidro o salvou

0
7734

WebMuseum at ibiblio / Wikimedia

“O Grito” (1893), de Edvard Munch

Três ativistas de um grupo ambientalista foram detidas hoje depois de atirarem cola ao quadro “O Grito”, de Edvard Munch, no Museu Pátrio de Oslo, em protesto contra a atividade petrolífera da Noruega.

A polícia norueguesa, na sua página no Twitter, informa que os seguranças do museu detiveram as jovens e alertaram os agentes de mando depois de estas terem atirado cola sobre o quadro, que não ficou danificado já que se encontra numa caixa de vidro. A caixa foi, todavia, afetada.

Duas das ativistas agarraram-se ao quadro enquanto a terceira filmava a cena, gritando “Não haverá grito enquanto as pessoas morrerem” e “Não haverá grito quando os políticos ignorarem a ciência”, informou a dependência noticiosa NTB.

As jovens mulheres pertencem ao grupo ambientalista Stopp Oljetinga (Stop Oil Activity), que, numa enunciação, disse que a ação das ativistas se destinava a alertar as pessoas e a pressionar o governo norueguês para que nascente mude a política já que é o maior exportador de petróleo e gás da Europa Ocidental.

Uma porta-voz do grupo disse à emissora pública de televisão NRK que escolheram a obra mais famosa de Munch, uma pintura expressionista icónica, para invocar a atenção para ela-mesma, sem intenção de a danificar.

A ação decorreu no mesmo dia em que o Parecer Internacional de Museus publicou uma mensagem alertando para o transe que estas ações impõem às obras de arte, sem olvidar as ameaças que “as mudanças climáticas” também “representam para o património cultural”, e na mesma semana em que representantes de muro de 100 instituições museológicas de todo o mundo sublinharam a fragilidade das peças à sua guarda.

A ministra norueguesa da Cultura, Anette Trettebergstuen, reagiu ao incidente considerando que “esta é uma forma de ação intolerável”: “Enquanto muitos de nós apoiamos a luta climática porquê uma das mais importantes lutas do nosso tempo, hostilizar a arte sem preço não ajuda em zero a justificação”.

Ações semelhantes foram realizadas por grupos de ativistas contra as alterações climáticas em todo o mundo nas últimas semanas, que visaram uma pintura de Claude Monet, num museu perto de Berlim, “Girassóis” de Van Gogh em Londres, as “Majas” de Goya, em Madrid, e o “Massacre na Coreia”, de Pablo Picasso, em exposição em Melbourne, na Austrália.

Obras de Andy Wharol e Botticelli, e o icónico “Rapariga com Brinco de Pérola“, de Vermeer, foram também meta de ações de protesto.

Numa enunciação conjunta, representantes de perto de 100 instituições de todo o mundo, incluindo o Museu Guggenheim de Novidade York, o Museu Britânico de Londres e o Museu do Louvre de Paris, alertaram esta semana para os riscos provocados por esses protestos climáticos a obras de arte de valor inestimável.

“Nas últimas semanas, houve vários ataques a obras de arte em coleções de museus internacionais. Os ativistas responsáveis pelas ações subestimam severamente a fragilidade desses objetos insubstituíveis, que devem ser preservados porquê segmento de nosso património cultural mundial”, escreverem os representantes de museus e galerias de arte, citados hoje pelo jornal The Washington Post.

Também o grupo de 92 representantes ICOM, numa mensagem publicada hoje no seu ‘site’, declara que os diretores dos museus estão cada vez mais “frustrados” e “profundamente abalados” pelo transe que estas ações impõem à arte.

Também os diretores de museus portugueses estão preocupados com a possibilidade de nascente tipo de ataques, que tem ocorrido no setentrião da Europa, chegue a Portugal, tendo intensificado a vigilância do património cultural à sua guarda.

Em justificação está “a própria natureza democrática” dos museus, que trouxeram a arte para o espaço público, e a tornaram “propriedade coletiva dos cidadãos”, porquê sublinharam, nesse trabalho divulgado pela dependência Lusa.

Em resposta à enunciação coordenada esta semana dos museus, sobre o risco imposto às obras, um porta-voz do grupo de ação climática do Reino Uno Just Stop Oil – que, entre outras ações, atirara sopa de tomate ao quadro “Girassóis” – disse hoje ao Washington Post que “a arte e as galerias públicas são também lugares de protesto”.

Rematar com o novo petróleo e gás é uma luta que precisa ser feita dentro e fora das galerias”, sustenta a organização.

Depois as recentes ações de ativismo climatológico em museus, o ICOM reconheceu e partilhou “as preocupações expressas pelos museus em relação à segurança das coleções e as preocupações dos ativistas climáticos diante de uma catástrofe ambiental que ameaço a vida na Terreno”.

“O ICOM vê a escolha dos museus porquê tecido de fundo para esses protestos climáticos porquê um testemunho de seu poder simbólico e relevância nas discussões em torno da emergência climática”, lê-se na enunciação do ICOM.

A organização relembra “o papel dos museus porquê atores-chave no início e escora à ação climática com suas comunidades” e elogia o compromisso com esta missão, demonstrada através de programas educacionais, exposições dedicadas, divulgação comunitária e pesquisa.

O ICOM labareda a atenção para o impacto que essas manifestações podem ter no trabalho de profissionais e voluntários de museus que se esforçam na promoção e proteção dos “valiosos bens do património para usufruto público”.

“Para compreender todo o potencial transformador que os museus têm para o desenvolvimento sustentável”, o ICOM deseja que os museus sejam vistos porquê aliados na resposta à ameaço geral das mudanças climáticas, lê-se ainda na enunciação.

Enquanto líderes políticos e da sociedade social se reúnem em Sharm El-Sheik para a conferência mundial do clima COP27, o ICOM “lembra a premência de uma ação corajosa para reduzir as emissões de carbono e mitigar o aquecimento global.

As mudanças climáticas representam uma ameaço crescente para o património cultural, tangível e intangível, museus e suas coleções – de desastres naturais a crescentes dificuldades em manter as condições de conservação devido ao clima extremo”, conclui.

Deixe um comentário