O Moxie já produziu em Marte o oxigénio de uma pequena árvore

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Se os humanos sobreviverem e prosperarem um dia em Marte, o chegada inopino a oxigénio respirável será uma urgência — e uma experiência do MIT começa a mostrar resultados promissores nessa frente.

Do tamanho de uma lancheira, o pequeno Moxie, ou “Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment” (Experiência de Utilização de Recursos de Oxigénio InSitu em Marte), viajou para Marte a bordo do Perseverance rover em 2020.

A experiência, liderada por uma equipa de investigadores do Massachusetts Institute of Technology, tem por objetivo produzir oxigénio utilizando CO2.

A 20 de abril de 2020, o Moxie produziu oxigénio em Marte pela primeira vez — na que foi também a primeira vez que o gás vital para a sobrevivência de quase todos os seres vivos conhecidos foi produzido noutro planeta.

Num cláusula publicado no termo do mês pretérito na Science Advances, a equipa do MIT revela agora que, até ao termo de 2021, o Moxie tinha conseguido produzir oxigénio em sete testes realizados com sucesso.

Segundo a nota de prensa do MIT, depois um ano de testes, verificou-se que o fazia de forma fiável de dia ou de noite, e através das estações do ano.

Depois aterrar na cratera de Jezero, em Fevereiro de 2021, a unidade entrou de inopino em funcionamento — e tapume de dois meses mais tarde produziu a sua primeira ração de oxigénio — tapume de 5,4 gramas, o equivalente ao que teria sido produzido por uma pequena árvore.

O Moxie retira ar da atmosfera rica em carbono do planeta, passando-o através de um filtro para remover contaminantes, comprimindo-o e depois aquecendo-o.

Neste ponto um eletrolisador de óxido sólido divide de forma elétrica o dióxido de carbono em monóxido de carbono e iões de oxigénio.

Estes iões são portanto isolados e recombinados para formar oxigénio molecular — o O2 respirável.

Uma vez que o Moxie é exclusivamente uma de várias experiências científicas a bordo do Perseverance, os cientistas não têm capacidade de o explorar continuamente.

Em vez disso, analisam-no durante tapume de uma hora de cada vez, com a equipa a realizar sete experiências ao longo de 2021 para o testar em cenários diferentes.

Isto significava dispará-lo em condições atmosféricas variáveis durante o dia e a noite, e em diferentes estações marcianas.

Em cada uma destas experiências, o Moxie produziu de forma fiável a sua emissão branco de seis gramas de oxigénio.

Os cientistas do MIT salientam que leste é aproximadamente o mesmo oxigénio produzido por uma árvore pequena na Terreno, e ao demonstrarem que o Moxie pode conseguir isto numa base fiável, em condições variáveis, acreditam ter oferecido um passo importante em direção a sistemas maiores que podem sustentar uma população humana.

“Esta é a primeira prova da utilização efetiva de recursos na superfície de outro corpo planetário, e da sua transformação química em um pouco que seria útil para uma missão humana”, diz o investigador principal junto da Moxie, Jeffrey Hoffman. “É histórico nesse sentido”.

Embora estas experiências tenham sido muito sucedidas, há ainda muitos pontos importantes que os cientistas gostariam de ver o Moxie abordar.

A equipa do Moxie procurará em breve fazer funcionar o sistema ao amanhecer e ao anoitecer, alturas em que a temperatura muda significativamente.

Entre os próximos passos da experiência, está também a teoria de aumentar as operações do Moxie durante a próxima Primavera Marciana, quando a densidade atmosférica e os níveis de dióxido de carbono estiverem no seu ponto mais cumeeira.

“Queremos fazer o sumo de oxigénio provável”, disse Michael Hecht, investigador principal da Moxie. E, até agora, o Moxie tem provado ser capaz de produzir O2 a qualquer hora do dia marciano.

  Inês Costa Macedo, ZAP //

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