OAB pede isolamento de PMs por morte de jovens em

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A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) defendeu o isolamento dos policiais militares envolvidos na operação que terminou com a morte de três jovens negros na comunidade Gamboa de Grave, em Salvador (BA), na madrugada desta terça-feira (1º).

Em nota divulgada nesta quarta-feira (2), a entidade afirmou que vai cobrar da Corregedoria da Polícia Militar (PM) e da Secretaria de Segurança Pública uma investigação “transparente e minuciosa” sobre a ação e cobrou medidas de proteção às testemunhas. 

O expedido, assinado pelo presidente da Percentagem de Direitos Humanos da OAB-BA, Eduardo Rodrigues, ofídio urgência na instalação de câmeras em viaturas e fardas da PM no estado. Em São Paulo, o monitoramento resultou em queda de 85% da mortalidade policial. 

:: “Violência policial é uma das responsáveis pelo aumento das mortes de jovens”, diz pesquisadora ::

Entenda o caso 

Na madrugada de terça-feira (1), Alexandre Santos, Cleberson Guimarães e Patrick Sapucaia foram mortos a tiros por policiais. Segundo a PM, os agentes foram recebidos a projéctil ao averiguarem uma denúncia e revidaram contra os atiradores. 

Moradores denunciam, porém, que as vítimas foram executadas. Durante um protesto realizado na manhã seguinte à operação, familiares e vizinhos afirmaram à prelo que os jovens estavam desarmados.

Segundo os moradores, a agressão foi iniciada pelos policiais, que chegaram atirando, lançando gás lacrimogênio e ofendendo os moradores. Testemunhas disseram, ainda, que o lugar das mortes foi adulterado pelos policiais, que teriam lavado o sangue das vítimas.

“Os corpos das vítimas foram removidos, e o lugar das execuções foi dissemelhante, impossibilitando, por óbvio, a apuração dos fatos”, disse em nota a Pronunciação dos Movimentos e Comunidades do Núcleo Velho de Salvador, assinada em conjunto com outras entidades. 

Por sua vez, a Polícia Militar alega que foi até o lugar para averiguar uma denúncia de que homens armados teriam feito um refém e reafirmou a versão de legítima resguardo.

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Bahia é estado mais mortífero para negros  

A Polícia Militar da Bahia é a mais mortífero do Nordeste e líder em mortes por chacinas, segundo o relatório A Vida Resiste: Além dos Dados da Violência, da Rede de Observatórios da Segurança. 

A entidade concluiu que todas as pessoas mortas pelas forças policiais em Salvador em 2020 eram negras. No mesmo ano, houve aumento de 21% de mortes em operações policiais, em conferência com 2019.

Gamboa luta contra segregação 

Gamboa de Grave é uma comunidade tradicional do início do século 20 localizada no meio macróbio de Salvador e formada por pescadores. Com o passar do tempo, o lugar foi rodeado por empreendimentos da especulação imobiliária. Hoje os moradores vivem em meio a um dos metros quadrados mais caros da cidade.

Segundo a Associação Amigos de Gegê dos Moradores da Gamboa de Grave, os habitantes lutam contra a falta de infraestrutura, serviços públicos e segregação social.

“A comunidade tem sido frequentemente ameaçada de ser expulsa, sobretudo as casas que estão situadas no Poderoso São Paulo, que tem sido sujeitas a propostas de conservação de patrimônio”, diz trecho do livro Urban Claims and the Right to the City: Grassroots Perspectives from Salvador da Bahia and London, publicado em 2020.

O início do processo de regularização fundiária só se deu em 2016, quando foi declarada Zona Privativo de Interesse Social no Projecto Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Nascente: Brasil de Indumento

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