“Oásis de vida” revelado nas profundezas das águas das Maldivas

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Nekton Maldives Mission (c) Nekton 2022

Missão Nekton Maldives

Um grupo de cientistas mergulhou nas águas das Maldivas para mapear os seus atóis, acabando por deslindar um ecossistema que ainda não tinha sido identificado, sobre 500 metros de profundidade no Oceano Índico.

A equipa responsável pela invenção chama-lhe a “Zona de Embuste”: um mundo com 500 metros de profundidade, relatou o Science Alert.

De tratado com o Presidente das Maldivas, Ibrahim Mohamed Solih, citado pelo Interesting Engineering, “o oásis de vida nas profundezas que circundam as Maldivas dá-nos um novo conhecimento, fundamental para fortalecer os compromissos de conservação e a gestão sustentável do oceano”, ao mesmo tempo que ajudará a suportar a pesca e o turismo.

Lucy Woodall, a principal observador da Missão Nekton, afirmou que os dados extraídos das imagens captadas, “combinados com as amostras biológicas colhidas com os submersíveis e o mapeamento extensivo com sonar”, apontam para um ecossistema em que grandes predadores, uma vez que tubarões, alimentam-se de exames de nécton – “pequenas criaturas marinhas ‘presas’ na paisagem submarina a essa profundidade”.

Os organismos que compõem o nécton podem medir até 10 centímetros, alimentam-se de zooplâncton e nadam independentemente das correntes marinhas. Tipicamente, migram das profundezas para águas mais superficiais durante a noite, regressando à origem ao romper do dia – um maravilha divulgado uma vez que “transmigração vertical”, que se considera a maior transmigração noturna do mundo.

Mas, os cientistas explicam que o estrato vulcânico submarino e os recifes de corais fossilizados, que constituem a base dos atóis das Maldivas, a par de escarpas verticais íngremes e terraços, impedem que o nécton mergulhe para zonas mais profundas. Assim, presos nessa extensão, esses pequenos organismos servem de manjar a grandes predadores, originando um ecossistema único.

Recordando que já tinha sido provável, anteriormente, observar tubarões em águas mais superficiais nessa região, Shafiya Naeem, responsável do Instituto de Investigação Marinha das Maldivas, contou que, “pela primeira vez”, foi provável documentar “uma imensa inconstância de tubarões no mar profundo”.

A missão registou a presença de tubarões-tigre, de tubarões-martelo, de tubarões-luzidios e até o vasqueiro tubarão-prego.

Alex Rogers, que conta com mais de 30 horas de mergulho nas Maldivas, afirmou que essa extensão “tem todas as características de um ilustre novo ecossistema”, defendendo que poderão viver zonas semelhantes noutras ilhas oceânicas.

Hussain Rasheed Hassan, ministro das Pescas, Recursos Marinhos e Lavra das Maldivas, alertou que o arquipélago “está a enfrentar uma prenúncio existencial causada pelos impactos humanos e pelas alterações climáticas” e que a sua sobrevivência depende de “soluções baseadas na ciência que nos ajudem a mitigar e a adaptar-nos aos efeitos desastrosos nas alterações climáticas”.

Criada em 2016, a Nekton Mission resulta de uma parceria entre o governo das Maldivas e o Instituto de Investigação Marinha desse país. “Tudo está ligado a um só oceano, que cobre quase todo o mundo, do setentrião ao sul, do nascente ao oeste”, declararam os cientistas, defendendo que “proteger os oceanos é proteger o planeta”.

Segundo algumas estimativas, a maior secção do que conhecemos sobre o nécton remonta aos anos 60 e 70, embora espécies importantes para a indústria pesqueira, uma vez que o atum, dependam dessas espécies.

  ZAP //

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