Os antigos romanos lavavam os dentes com urina. A melhor vinha de Portugal

0
1983

Carole Raddato / Wikimedia

Ilustração de uma reconstrução das latrinas comuns em Vercovicium.

Os antigos romanos usavam urina para branquear os dentes e evitar que se deteriorassem. A urina mais rostro vinha de Portugal, já que se acreditava ser a melhor.

Provavelmente não imaginamos que os antigos romanos tivessem os maiores cuidados com a saúde verbal. Todavia, a verdade é que há indícios de que havia algumas preocupações, uma das quais muito bizarra aos olhos de hoje: lavar os dentes com urina.

Os romanos acreditavam que a urina – tanto humana quanto bicho – deixaria os seus dentes mais brancos e impediria que deteriorassem. Segundo o portal Ancient-Origins, usavam-na uma vez que elixir bocal e usavam-na nas misturas para fazer pasta de dentes.

A teoria não é tão descabida uma vez que parece. A urina é rica em minerais e produtos químicos importantes, uma vez que fósforo e potássio. Na profundeza, sem os recursos que dispomos atualmente, seria uma boa selecção para ajudar a manter a saúde verbal. Aliás, urina foi utilizada no fabrico de pastas de dentes e elixires até ao século XVIII.

Curiosamente, os romanos consideravam que a melhor urina — e, consequentemente, a mais rostro — vinha de Portugal. Eles consideravam que a urina portuguesa era a mais potente e, por isso, a mais eficiente no branqueamento dos dentes.

A urina era tão popular na Roma antiga que até foi criado um imposto pelos imperadores romanos Nero e Vespasiano. O vectigal urinae foi criado para a recolha de urina em urinóis públicos.

Daqui nasceu a cláusula tributária pecunia non olet, que estabelece que, para o fisco, pouco importa se os rendimentos tributáveis tiveram ou não manancial lícita ou moral.

Os historiadores romanos Suetónio e Dião Cássio contam que quando Tito reclamou com o seu pai da natureza impudico do imposto e que fazia com que a cidade ficasse a rescender mal, Vespasiano pegou numa moeda de ouro e disse Non olet (não tem cheiro).

  Daniel Costa, ZAP //

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.