Pacientes paralisados conseguiram voltar a caminhar graças a choques elétricos

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National Cancer Institute / Unsplash

Pacientes paralisados conseguiram voltar a caminhar graças a uma terapia com choques elétricos. Os resultados do estudo são altamente promissores.

Normalmente, uma lesão grave na medula espinal é sinónimo de paralisia permanente. No entanto, uma novidade técnica pode oferecer esperança aos pacientes paralisados por danos na medula espinal.

Neste novo estudo, os pacientes foram submetidos a um regime de estimulação elétrica, recuperando a sua capacidade de voltar a caminhar. Depois, os cientistas compararam os resultados aos de ratos que receberam um tratamento semelhante.

Isso permitiu aos investigadores identificarem os neurónios provavelmente subjacentes à sua recuperação. Os autores identificaram duas populações neurais que pareciam orquestrar as reconexões de células nervosas depois a lesão em animais.

Os autores identificaram ainda duas subpopulações de interneurónios excitatórios que expressaram os marcadores genéticos Vsx2 e Hoxa10 porquê potenciais condutores da recuperação em animais.

De negócio com a The Scientist, se esses neurónios funcionarem da mesma forma em humanos, isso poderá levar a melhores tratamentos.

A estimulação elétrica epidural (EEE) já foi usada experimentalmente para restaurar a habilidade de caminhar em pacientes com “lesão motriz completa da medula espinal”. Esta é uma lesão que permite alguma sensação, embora impeça totalmente o movimento voluntário dos membros.

Por sua vez, a equipa de investigadores na Suíça usou agora a estimulação elétrica em pacientes com lesões crónicas na medula espinal. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na conceituada revista Nature.

Embora o potencial da EEE já tenha sido evidenciado em 2018, os investigadores nunca perceberam totalmente porquê é que funcionava. A equipa da neurocientista Grégoire Courtine, da Escola Politécnica Federalista de Lausana, que participou no estudo de 2018, propôs-se saber mais.

Os pacientes paralisados foram submetidos a cinco meses de tratamento de EEE, fisioterapia e restauração. Seis tinham alguma sensibilidade nas pernas depois os ferimentos, mas três dos pacientes ficaram totalmente paralisados da cintura para grave.

Os participantes tinham um neuroestimulador implantado cirurgicamente na superfície da poste lombar para ativar as raízes nervosas motoras à medida que saem da medula.

À medida que cada pessoa progredia e recuperava a capacidade de caminhar, os níveis de atividade nervosa perto do sítio da lesão diminuíam.

Em seguida os cinco meses, os pacientes conseguiam caminhar usando um dispositivo facilitar, e aqueles que tinham função parcial da medula espinal antes da estimulação podiam caminhar sem ele.

  Daniel Costa, ZAP //

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