Passar faz mesmo mal aos joelhos? Pense duas vezes

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chelsdo / Canva

A sabedoria popular diz-nos que decorrer faz mal aos joelhos. Mas o que é que a diz a ciência? Cada vez mais estudos têm sugerido o contrário.

Provavelmente, em qualquer momento da sua vida, já ouviu manifestar que decorrer faz mal aos joelhos. Basicamente, a explicação sugerida é que, a longo prazo, as nossas rótulas vão-se desgastando devido ao peso que o nosso corpo exerce no movimento de corrida.

Uma sondagem online, cujos resultados foram publicados leste ano na Orthopedic Journal of Sports Medicine, descobriu que mais da metade dos 2.514 entrevistados acreditavam que a corrida de longa intervalo danifica os joelhos.

No entanto, cada vez mais estudos provam precisamente o contrário. Passar não faz mal aos joelhos; aliás, até os fortalece. Sinal disso mesmo é um estudo publicado em 2008 na American Journal of Preventive Medicine e outro publicado em 2017 na Arthritis Care & Research.

Ao contrário da opinião popular, a corrida de longa intervalo raramente culpa problemas nos joelhos e muitas vezes deixa as articulações mais resistentes e menos danificadas.

Há exceções, avisa o The Washington Post, por isso é importante entender os vários fatores por trás, nomeadamente a mecânica do que realmente acontece às nossas rótulas a cada passo que damos.

Noutro estudo, publicado em 2019 na revista BMJ Open Sport & Exercise Medicine, observou 82 corredores iniciantes de meia-idade que se inscrevem na Maratona de Londres. Os autores examinaram os joelhos dos corredores antes de iniciarem os treinos, ao longo de quatro meses antes da corrida; e novamente duas semanas depois da maratona.

Embora nenhum dos corredores tenha relatado problemas de joelhos no início, a maioria dos seus primeiros exames mostrou sinais de lesões articulares, incluindo lesões na cartilagem e na medula óssea — o primeiro passo para lucrar artrite.

No entanto, esse dano foi parcialmente revertido pelo treino e corrida. Duas semanas posteriormente a maratona, a maioria das lesões tinha minguado.

Ora, nem tudo foi um mar de rosas. Os cientistas detetaram que alguns corredores apresentaram sintomas de leves danos nos ossos e na cartilagem à volta das rótulas. A invenção vai de encontro à sabedoria popular que o impacto das passadas ao decorrer faz-se sentir nos joelhos.

Os investigadores tiveram logo que ver se os danos observados se mantinham ou até pioravam. Era uma questão decisiva para perceber se decorrer fazia mesmo mal aos joelhos ou não.

Num novo estudo em 2020, publicado na Skeletal Radiology, a mesma equipa de cientistas voltou a examinar os joelhos dos corredores, seis meses posteriormente a maratona. A maioria deles ainda corria, embora distâncias mais pequenas.

O que é os exames mostraram? Os joelhos dos corredores eram agora mais saudáveis do que nas semanas logo posteriormente a maratona.

“Eu sinto-me confortável neste momento ao manifestar que decorrer não deve prejudicar os joelhos da maioria das pessoas e pode, de facto, ser lucrativo”, disse o coautor do estudo Alister Hart, em declarações ao The Washington Post.

  Daniel Costa, ZAP //

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