Pesadelos frequentes associados a um risco acrescido de demência

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Éole / Flickr

Passamos um terço da vida a dormir e um quarto desse tempo a sonhar. Uma pessoa que viva muro de 73 anos sonha durante mais de seis.

Embora o sonho desempenhe um papel mediano nas nossas vidas, sabemos pouco sobre o porquê de sonharmos ou sobre a forma uma vez que os sonhos são criados. Mais importante: ainda não sabemos qual o significado dos sonhos para a saúde – mormente para a saúde do cérebro.

Numa estudo publicada recentemente na ClinicalMedicine, da Lancet, o investigador Abidemi I. Otaiku revelou que ter sonhos frequentes – mais precisamente pesadelos, que nos fazem convencionar – durante e a partir da meia idade pode estar associado a um risco acrescido de desenvolver demência.

A investigação reúne dados de três estudos norte-americanos sobre saúde e envelhecimento, englobando 600 pessoas com idades compreendidas entre os 35 e os 64 anos e 2.600 pessoas com 79 ou mais anos. Os participantes foram seguidos durante nove anos e cinco anos, respetivamente.

O investigador descobriu que os participantes de meia-idade que relatavam pesadelos semanais tinham quatro vezes mais verosimilhança de suportar um declínio cognitivo (precursor da demência) durante a dezena seguinte, enquanto que os mais velhos tinham o duplo da verosimilhança de serem diagnosticados com demência.

Concluiu também que a relação entre os pesadelos e a demência futura era muito mais potente entre os homens do que entre as mulheres. Os homens com mais idade com pesadelos semanais tinham cinco vezes mais verosimilhança de desenvolver demência do que aqueles que não relatavam pesadelos.

Nas mulheres, o aumento do risco era de 41%. De consonância com o Conversation, um padrão semelhante foi encontrado no grupo de meia-idade.

Estes resultados sugerem que os pesadelos frequentes podem ser um dos primeiros sinais de demência. Alternativamente, continuou o item do Conversation, podem indicar que pesadelos constantes são a raiz da demência – a sua pretexto.

Dada a natureza deste estudo, não é provável ter a certeza qual destas teorias é correta, referiu Abidemi I. Otaiku. No entanto, os resultados permanecem os mesmos: ter pesadelos regulares durante a meia-idade e na terceira idade pode estar ligado a um risco acrescido de desenvolvimento da demência.

Noutro estudo, o mesmo responsável concluiu que os pesadelos são um sintoma que aparece alguns anos antes de outros sinais de Parkinson, uma vez que os tremores ou a dificuldade nos movimentos, especificamente entre os adultos mais velhos.

A boa notícia é que os pesadelos recorrentes são tratáveis. Descobertas recentes sugeriram que o tratamento pode ajudar a retardar o declínio cognitivo e a prevenir o desenvolvimento da demência em algumas pessoas.

  ZAP //

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