Por que é que os bocejos são tão contagiosos?

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Marie Lemaistre / Pexels

Comum nos humanos e nos animais, os bocejos contagiosos podem tem um propósito importante nas interacções entre os grupos.

Alguma vez lhe aconteceu ficar com vontade de bocejar depois de ver outra pessoa a fazê-lo? Às vezes, simplesmente ouvir alguém a falar em bocejar ou ler alguma coisa sobre isso é o suficiente para nos dar a vontade de o fazer. Já bocejou desde que começou a ler este texto?

Pois bem, se isto já lhe aconteceu, está longe de ser o único — e até os animais também sofrem com estes bocejos quase são quase tão contagiosos como a covid-19. Um novo estudo publicado na Animal Behaviour procurou encontrar a resposta para este mistério.

O biólogo evolutivo Andrew Gallup fez uma revisão pela literatura cientifica existente em busca de pistas e juntou as informações num único modelo explicativo. A resposta? Bocejar pode ser uma forma dos animais sincronizarem o seu comportamento e promoverem um sentido de alerta colectivo.

Mas, afinal, para que servem os bocejos? Não têm um propósito óbvio para, mas pensa-se que estes suspiros de ar fresco sirvam para moderar a temperatura do sangue numa tentativa de se arrefecer o cérebro.

A sua importância, no entanto, não deve ser subestimada, já que practicamente todos os animais vertebrados bocejam. O facto de serem tão prevalecentes entre inúmeras espécies sugere que trazem algum tipo de benefício colectivo aos animais, que se juntam para arrefecerem os seus cérebros com um grande bocejo.

De acordo com Gallup, este benefício é uma chamada de atenção que ajuda a compensar pela sonolência dos indivíduos que começam a cadeia de bocejos. Os bocejos costumam acontecer quando passamos de um estado de actividade para outro, como quando acordamos.

Também tendemos a bocejar quando antecipamos uma mudança e para nos mantermos alerta num ambiente que parece ser estimulante. Este rápido arrefecimento do cérebro trazido pelos bocejos é uma maneira perfeita de nos preparamos antes de uma tarefa que exija a nossa atenção.

Por esta razão, o contágio acaba por ser útil, ao garantir que, se houver um membro do grupo que precise de dormir, os outros possam dar um bom bocejo e assumir as suas tarefas com uma energia revigorada.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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