porque a pele humana resistia melhor ao sol, noutros tempos

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Anek Suwannaphoom / Flickr

Há milénios, as pessoas andavam quase sem roupa. Mesmo em dias de 40 graus. Mas a pele resistia melhor do que agora.

Provavelmente, a leitora ou o leitor do ZAP nunca perguntou isto, quando está na praia. Mas pergunte agora: porquê é que os nossos antecessores, há milénios, se protegiam do sol em dias tão quentes?

Pois, protectores solares… Zero. Cremes ou outros produtos? Zero. Nem sombra existia (pelo menos no formato moderno).

Na profundeza, já havia abrigos. Os seres humanos de portanto criaram abrigos de pedra, ou mesmo cavernas. E provavelmente tinham cobertores – ou uma espécie de cobertores – para se protegerem do insensível.

Mas a veras é que nem roupas existiam. Pelo menos porquê as nossas, não. E, por isso, a rotina era passarem o dia praticamente nus e expostos ao sol. Quer estivessem 10 ou 40 graus.

Logo as pessoas dessas épocas preocupavam-se tanto porquê a pele, porquê nós nos preocupamos agora? Não. Responde Jo Adetunji, no portal The Conversation.

Jo é antropóloga biológica e estudou a adaptação dos primeiros seres humanos ao clima, ao envolvente.

E explica que a pele vai reagindo, sozinha, à rotina da exposição solar. A epiderme vai ficando mais espessa, ao juntar mais camadas de células.

A eumelanina é importante neste item. A molécula que protege a pele da luz também absorve a radiação ultravioleta prejudicial. Influencia no processo de adaptação à luz e costuma tornar a pele humana mais escura, precisamente para a proteger.

O que acontecia noutros tempos é que, quanto mais intensa fosse a luz ultravioleta do sol, mais escura seria a pele das pessoas que habitavam nessa zona. Produzia-se mais eumelanina, na profundeza.

As pessoas praticamente não saíam da zona em que nasciam. E não tinham tectos. Por isso, ao longo do ano (e dos anos), a pele adaptava-se às condições do clima.

Uma vez que não havia choques térmicos – e as alterações climáticas nem eram ponto – não havia queimaduras solares, praticamente. A pele estava em inabalável adaptação, ajuste.

A pele, sem produtos, mostrava mais rapidamente uma pessoa velha, enxurro de rugas, por exemplo. Mas a mesma pele, sem produtos, não precisava de protecções; já se protegia naturalmente.

A “fronteira” aconteceu há tapume de 10 milénio anos: até aí as pessoas estavam quase sempre no exterior; a partir daí, gradualmente, viver entre paredes passou a ocupar, gradualmente, a maioria do tempo dos humanos.

E a pele começou a “queixar-se”, ao trespassar à rua.

  ZAP //

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