PR: Comunidade Reduto de Caraguatá celebra 17 anos de luta com

0
5128

Na quinta-feira (17), as famílias do acampamento Reduto de Caraguatá, de Paula Freitas (região sul do Paraná), completaram 17 anos de luta pela reforma agrária da espaço. A comemoração aconteceu no sábado (19), com doação de cestas de vitualhas para as famílias em situação de vulnerabilidade do município.

As 150 cestas foram entregues para o Núcleo de Referência da Assistência Social (CRAS), que distribuiu para as famílias já cadastradas. Cada kit foi recheado de esperança e comida boa, entre pão rendeiro, jerimum, feijoeiro, arroz, banana e melado (a maioria produtos agroecológicos), totalizando quase uma tonelada de vitualhas.


Cestas foram montadas com uma variedade de vitualhas, a maioria agroecológicos / Fotos: Juliana Barbosa

A ação faz segmento da campanha pátrio de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terreno (MST) a quem enfrenta a inópia na pandemia. No Paraná, já foram doadas mais de 880 toneladas de vitualhas.

:: MST completa 38 anos com arrecadação histórica contra a inópia e campanha nas redes sociais ::

“Todo o município será adoptado com as cestas, pois há muitas demandas de pessoas em situação de vulnerabilidade. Na pandemia, aumentou muito a situação, pois o auxílio emergencial não chegou para todos. Com o aumento do dispêndio de vida das pessoas, ele foi insignificante, por isso a valor dessa doação que o movimento está fazendo”, afirmou Aysslan José Estácio Alves, Coordenador do CRAS de Paula Freitas.

Partilhar para festejar

Para a dona Geny das Graças Pontes, moradora do acampamento Reduto de Caraguatá, o sentimento é de realização por festejar o natalício da comunidade com a partilha. Ela e o coletivo da comunidade fizeram a colheita dos vitualhas que foram nas cestas.

“Cá a gente não passa inópia. É uma alegria saber que esse manjar vai ser a comida no prato de alguém que não tem, é um conforto no coração, porque não é doação exclusivamente de comida, é de paixão e de esperança”, declarou a agricultora.



Geny das Graças (no meio) e Ayslann José (à direita): entrega simbólica da comunidade para o CRAS de Paula Freitas / Foto: Juliana Barbosa

Reduto de Caraguatá: herdeiros de uma luta histórica 

A região onde hoje está a comunidade fez segmento do grande território afetado pela Guerra do Impugnado, o maior confronto civil-militar ocorrido entre o Paraná e Santa Catarina no século pretérito. No conflito, o governo federalista e os dois estados usaram de suas forças militares para expulsar posseiros, caboclos e pequenos agricultores. Estima-se que 25 milénio camponeses foram mortos durante quatro anos de guerra.

:: MST recebe prêmio por atuação em município atingido por enchentes no sul da Bahia ::

O nome do acampamento de Paula Freitas homenageia o Reduto de Caraguatá, uma das “cidades santas” formadas pelos camponeses para resistir e enfrentar as tropas dos governos. O reduto ficava no interno do atual município de Lebon Régis, em Santa Catarina, e teve porquê maior líder místico e militar a jovem Maria Rosa – também homenageada pelo MST em uma comunidade de Castro (PR). 



Comunidade está localizada em território afetado pela Guerra do Impugnado / Foto: Juliana Barbosa

Em pesquisa feita pela Universidade Federalista do Paraná (UFPR), as famílias da comunidade receberam um título por, desde a ocupação, preservarem o meio envolvente e as araucárias, símbolo do município e do estado.

Rodrigo Athayd, morador do acampamento, enfatizou o papel forçoso do MST no desvelo com a natureza. “Por isso a valor da gente dar perpetuidade nessa luta com o Movimento Sem Terreno e substanciar a lavra familiar, a preservação ambiental e autonomia cevar. O MST se coloca herdeiro dessa luta histórica”, completou.



Acampamento Reduto de Caraguatá, em Paula Freitas (PR), luta há 17 anos pela Reforma Agrária / Fotos: Juliana Barbosa

O último dia 17 de fevereiro foi de muita celebração para as 36 famílias camponesas com almoço comunitário e bolo. Depois de tantos anos de luta, trabalho e esforço, agora podem produzir e partilhar os frutos da terreno conquistada.

“É um sentimento de orgulho. Primeiro porque estamos fazendo o que está na Constituição, que é a terreno ter sua função social. Essa é sua função, produzir a comida que alimenta hoje as famílias do acampamento, mas também as da cidade. Esse é o legado do MST”, finalizou Luiz Carlos Rocha, espargido porquê Rochinha, integrante da coordenação da comunidade.

Manancial: BdF Paraná

Edição: Lia Bianchini

Manancial: Brasil de Indumentária

Deixe um comentário