Recém-nascido concebido com sêmen de 1996 desperta debate no Reino Unificado

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Até agora, os gâmetas só podiam ser armazenados durante 10 anos, com levante período de tempo foi agora alargado para 55 anos no Reino Unificado.

Na última semana, um recém-nascido nascido no Reino Unificado com sêmen retraído e gélido em 1996, fez reacender o debate sobre quanto tempo o sêmen pode ser armazenado antes de ser realmente usado. Recentemente, uma mudança na legislação permitirá que mais bebés sejam concebidos através desta via, mas com sêmen gélido há mais de 50 anos, de consonância com um relatório do jornal britânico The Guardian.

Até agora, os gâmetas só podiam ser armazenados durante 10 anos, com levante período de tempo foi agora alargado para 55 anos. Allan Pacey, professor de andrologia na Universidade de Sheffield, disse ao The Guardian que não havia nenhuma razão científica ou médica para o limite anteriormente imposto.

“O limite lícito de 55 anos não tem zero a ver com o prazo de validade do sêmen, ou por quaisquer outras razões científicas. Tem mais a ver com o que os políticos sentiram ser correto para a sociedade. Mas uma vez que os espermatozóides congelados estão efetivamente em “animação suspensa”, uma vez congelados não vejo porque não poderiam ser mantidos durante centenas de anos se a lei o permitisse”.

O mesmo profissional argumentou que provavelmente não existem riscos de saúde decorrentes da utilização de sêmen mais idoso, embora não existam estudos a longo prazo fora da indústria pecuária para fundamentar esse facto. “O sêmen de touros é mantido em armazenamento por muito mais tempo do que o que habitualmente utilizamos para zelar sêmen humano, sem qualquer problema óbvio“, disse ele.

Para aqueles que prevêem um porvir em que as pessoas tentam produzir bebés de figuras históricas desaparecidas há muito tempo, Allan defende que a verosimilhança de sucesso de tal esquema é mínima. Finalmente, o primeiro banco de sêmen vencedor de um Prémio Nobel do mundo fechou devido à falta de procura.

No entanto, alguns especialistas argumentam que é necessário fazer mais estudos sobre o objecto. Julian Savulescu, um professor de moral da Universidade de Oxford, disse ao mesmo jornal que era necessária uma pesquisa de bem-estar a longo prazo que incluísse o impacto emocional de ter um pai biológico morto. “Estamos realmente a fazer uma experiência, e eu sou em prol delas, mas há a obrigação moral de gerar conhecimento e modificar a prática de consonância com os resultados”, disse Savulescu.

Outrossim, uma vez que a sociedade e os genomas das pessoas mudam com o tempo, a utilização de sêmen muito idoso pode tornar-se um problema. No entanto, Savulescu argumentou que estas eram “preocupações de ficção científica”, uma vez que o frigoríficação do sêmen só começou nos anos 50.

Nos últimos anos, o sector da fertilidade conseguiu alguns avanços revolucionários. Em 2016, uma equipa de médicos liderada pelo pesquisador John Jin Zhang afirmou ter ajudado uma mulher a dar à luz o primeiro recém-nascido de três pais do mundo (uma menino que tem três pais biológicos) utilizando uma técnica chamada terapia de substituição mitocondrial.

Em agosto deste ano, especialistas em engenharia genética da Universidade de Cambridge produziram um embrião “sintético” de rato sem utilizar óvulos ou espermatozóides. Os embriões produzidos utilizando células estaminais puderam debutar a desenvolver um coração, cérebro e outros órgãos durante até uma semana.

  ZAP //

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