Seis meses no espaço equivale a uma dezena de perda óssea

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Bill Ingalls / NASA

O astronauta Scott Kelly

Durante missões espaciais com duração de seis meses ou mais, os astronautas podem tolerar perdas ósseas equivalentes a uma dezena de envelhecimento na Terreno, revelou um novo estudo.

Os ossos “são um órgão vivo”, disse Leigh Gabel, investigador na Universidade de Calgary, no Canadá, uma das responsáveis pelo estudo, publicado recentemente na Scientific Reports. “Eles estão vivos e ativos e em ordenado remodelação”, indicou ainda. Porém, sem seriedade, os ossos vão perdendo força.

Para o desenvolvimento deste estudo, Gabel e a sua equipa acompanharam 17 astronautas – 14 homens e três mulheres, com a idade média de 47 anos -, que passaram entre quatro a sete meses no espaço.

Recorrendo a exames de tomografia de subida solução, que permitem medir a arquitetura óssea em escalas “mais finas do que a espessura de um fio de cabelo humano”, os investigadores analisaram a estrutura da tíbia, na perna, e do rádio, no braço, calculando a sua força e a densidade.

As imagens foram recolhidas em quatro momentos: antes do voo espacial; quando regressaram do espaço; seis meses em seguida o volta e, depois, passados mais seis meses (totalizando um ano).

Os resultados mostraram que os astronautas que ficaram seis meses ou menos no espaço conseguiram restaurar a força óssea um ano em seguida o volta. Mas, aqueles que ficaram mais tempo registaram perdas ósseas permanentes nas tíbias, equivalentes a uma dezena de envelhecimento.

Em contraste, no rádio não foram registadas perdas significativas, provavelmente por ser um osso que não carrega tanto peso, indicou Gabel.

De concordância com Steven Boyd, investigador na Universidade de Calgary, citado pelo Science News, um aumento na frequência e número de exercícios de levantamento de peso no espaço poderia ajudar a mitigar a perda óssea.

Ao Guardian, Boyd, que é um dos autores do estudo, comparou os ossos do corpo humano à Torre Eiffel. Algumas hastes de metal que seguram a estrutura se perdem e nunca mais são recuperadas, explicou. Para gratificar, outras engrossam.

“Com voos espaciais mais longos, podemos esperar uma maior perda óssea e provavelmente um maior problema de recuperação”, indicou o fisiologista Laurence Vico, da Universidade de Saint-Étienne, em França, que não fez troço do estudo.

A perda muscular é bastante preocupante se forem considerados os planos da NASA de enviar astronautas para o espaço profundo. Uma simulação feita em 2020 sugere que, num voo espacial de três anos para Marte, 33% dos astronautas correriam o risco de desenvolver osteoporose (perda progressiva de volume óssea).

Enquanto os astronautas fazem mais manobra no espaço, os investigadores devem continuar a investigar se a perda muscular tem um limite sumo ou se continua a ocorrer consoante se aumenta o tempo pretérito no espaço.

  ZAP //

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