Só a mãe deve amamentar o recém-nascido. Os riscos da amamentação cruzada

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madanelu / Flickr

Quando a mãe permite que outra mulher amamente o seu recém-nascido, a chamada amamentação cruzada, está a colocar em risco a saúde da gaiato, pois algumas doenças podem ser transmitidas através do leite materno.

No pretérito, os bebés costumavam ser amamentados pelas “amas de leite”, mas há tempos foi comprovado, cientificamente, que isso é inverídico. Para se ter uma teoria, uma portaria do Ministério da Saúde do Brasil, publicada em 1993, já abordava o ponto orientando que “as equipas de saúde deviam proibir que as mães amamentassem outros recém-nascidos que não os seus. A Rede de Bancos de Leite Humano adota o mesmo posicionamento.

Valdenise Tuma Calil, pediatra neonatologista e coordenadora-médica do Banco de Leite Humano do Instituto da Gaiato e do Jovem do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), explica que a amamentação cruzada passou a ser contraindicada em seguida o surgimento do VIH, por volta da dez de 1980, porque a doença também é transmitida através do leite materno.

“Existe uma janela imunológica, logo, às vezes, mesmo que a gestante tenha feito exames, eles podem ainda não estar a detetar a infeção, porque ela não tem a quantidade de anticorpos suficientes, por exemplo”, explica Calil, reforçando que essa prática é muito arriscada, inclusive, para a mulher, visto que, embora seja menos universal, ela também pode ser infetada pelo recém-nascido, já que a amamentação é um contacto extremamente íntimo.

E além do risco iminente de infeção pelo VIH, originador da Sida, outras doenças também podem ser transmitidas para o recém-nascido através do leite materno, uma vez que hepatites, HTLVs (vírus da mesma família do HIV), mononucleose (ou doença do ósculo), citomegalovírus (da família do vírus herpes).

Doação de leite é indicada e extremamente importante

Nesse contexto é muito importante frisar que a doação para um banco de leite não é a mesma coisa que a amamentação cruzada, porque o leite doado, antes de ser entregue a um recém-nascido, é pasteurizado.

“A pasteurização é um aquecimento do leite a 62,5°C por trinta minutos, e depois um esfriamento rápido a mais ou menos 4°C para evitar que o leite perda muitas propriedades imunológicas”, descreve Calil. “Com isso, existe uma inativação de 100% dos vírus e bactérias patogénicas, por isso ele pode ser utilizado para outros bebés que não são daquela mãe”, esclarece a perito, que também é professora colaboradora da disciplina de neonatologia da Universidade de São Paulo.

O leite materno é precípuo para o bom desenvolvimento do recém-nascido. Mas não vasqueiro ver difundida a teoria de que, dependendo da cor ou da textura, é mais potente ou mais fraco. No entanto, isso não passa de um mito.

Segundo os especialistas, não existe leite fraco, independentemente da paisagem, nascente tem sempre a quantidade de nutrientes adequada para cada tempo do recém-nascido — a não ser que a mãe tenha uma inópia muito severa (exceções), logo o leite pode ter uma quantidade de gordura um pouco menor.

O que acontece, na verdade, é que algumas mulheres produzem leite com um maior texto de gordura, dependendo da sua manjar, o que não significa que o leite de outras seja fraco, tampouco que a nutrição do recém-nascido será prejudicada.

“As mães que têm restrição cevar por não ter condições de se cevar adequadamente durante a gravidez, também têm um leite muito bom, porque o organização tira tudo o que ela tem de melhor para cevar o recém-nascido”, reforça Castro, pediatra e director da unidade de neonatologia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand.

A perito ainda salvaguarda que a natureza é tão perfeita que o leite da mãe de um recém-nascido prematuro é dissemelhante de outro que nasceu na estação certa. “A quantidade de nutrientes é exatamente a ideal para aquele recém-nascido, nem entendemos essa sublimidade do corpo”, comenta Castro.

Benefícios da amamentação

Não é sigilo para ninguém que o leite materno é muito importante para o desenvolvimento do recém-nascido. Mas sabe exatamente por quê? Veja a seguir alguns dos principais motivos:

  • As proteínas do leite materno têm uma qualidade muito melhor se comparados com o leite em pó, uma vez que já mostram diversos estudos;
  • O leite materno tem as quantidades de nutrientes exatas para o recém-nascido e para cada tempo ulterior;
  • Reduz o risco de mortalidade infantil;
  • Tem uma digestão mais rápida e melhor, além de o recém-nascido ter menos incidência de refluxo e diarreia;
  • Protege contra a inópia e obesidade, já que possui uma quantidade muito mais equilibrada de nutrientes;
  • Diminui o risco de diabetes;
  • O leite materno tem fatores de resguardo imunológicos que protegem, em privativo, contra infeções digestivas e respiratórias;
  • Estudos apontam que o leite materno diminui o risco de transtornos mentais na puerícia e juventude;
  • Bebés que mamam no peito correm menos risco de serem internados;
  • Favorece o desenvolvimento motor-oral, que inclui a da arcada dentária, mandíbula, lábios, língua, maxilar, bochechas, etc;
  • Previne a má oclusão dental;
  • Protege contra doenças intestinais com origens imunológicas;
  • Previne contra doenças alérgicas e crónicas, uma vez que colesterol, cardiopatias, alguns tipos de cancro e leucemia;
  • A amamentação é muito mais prática, está sempre pronta e na temperatura ideal;
  • A amamentação fortalece muito os vínculos afetivos entre mãe e fruto

E os benefícios não param por aí. Diversas pesquisas mostram que a amamentação também melhora a cognição, ou seja, bebés que mamam no peito tendem a ser mais inteligentes, com um QI mais saliente.

E as mães também são beneficiadas, visto que o leite materno: diminui o risco do cancro de pomo, de ovário e protege contra a diabetes tipo 2; ajuda na recuperação do pós-parto com a libertação de ocitocina, que contrai o útero para que ele volte ao normal mais rápido, independentemente do tipo de parto; auxilia na perda do peso e diminui o risco de depressão pós-parto.

Ou por outra, segundo os especialistas, a amamentação ainda tem um efeito contracetivo. A mulher que amamenta com intervalos regulares tende a demorar mais para engravidar novamente, pois a produção hormonal inibe uma novidade gravidez.

Todavia, há alguns casos que impedem que a mulher amamente o seu recém-nascido, uma vez que o uso de alguns medicamentos para cancro ou doenças imunológicas, quimioterapias, entre outros.

Algumas mães podem tolerar com mastite — uma inflamação que deixa o seio vermelho e bastante dolorido, e que requer medicação. Outras têm fissuras, que costumam surgir ainda no início da amamentação. Isso ocorre, principalmente, porque a gaiato ainda está a aprender a sugar o leite. De qualquer forma é preciso ir ao médico para avaliação, que pode, por exemplo, receitar pomadas para um tratamento eficiente, sem precisar de parar a amamentação.

Uma vez que forma preventiva, os especialistas reforçam que as mães precisam de ser acompanhadas e muito muito orientadas por um pediatra ou uma consultora de lactação. Nos próprios Bancos de Leite Humano, a mulher pode receber orientações sobre uma vez que amamentar o seu fruto corretamente.

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