Sobras de comida produzem cimento mais resistente do que o convencional

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jbloom / Flickr

Japoneses pegaram em folhas de chá, cascas de laranja, sobras de cebola e moca para produzir cimento.

Se a indústria do cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de CO2 do mundo, emitindo murado de 2,8 milénio milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano na atmosfera – quantidade superada somente por China e EUA.

As informações foram divulgadas pela BBC e revelam o quanto a produção deste material é insustentável. Mas isso pode estar com os dias contados!

Pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, desenvolveram uma técnica capaz de transformar sobras de comida – mais especificamente folhas de chá, cascas de laranja, sobras de cebola e repolho e lia de moca – em concreto.

A teoria não é novidade: investigadores já haviam testado a técnica, mas “empancaram” no momento de encontrar uma forma sustentável de grudar os sobras de comida na lanço de compressão do material, recorrendo ao plástico para isso.

Agora, os cientistas da Universidade de Tóquio descobriram que o problema pode ser resolvido, se forem ajustadas a temperatura e a pressão utilizadas ao longo do processo de transformação dos sobras de iguaria em cimento sustentável.

A técnica usa exatamente a mesma lógica da transformação do pó de madeira em compensado, submetendo os sobras de iguaria a processos de secagem, pulverização e compressão.

O resultado é um cimento verdejante, que evita geração de lixo e que pode ser até quatro vezes mais resistente à tração e flexão do que o convencional.

Desta vez, o duelo encontrado foi outro: por ser feito de sobras de vitualhas e não levar nenhuma substância industrial no processo, o cimento verdejante acaba por ser comestível, o que pode ser um engodo para roedores e outras pragas. A solução? Impermeabilizar ou revestir o material com resina laca ou outra substância química, para alongar os animais.

O material já passou em todos os testes feitos em pequena graduação e agora os cientistas preparam-se para pensar em formas de produzir o concreto de sobras de iguaria em grande graduação.

Será que vem aí uma provável revolução na indústria da construção?

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