Telefonemas indesejados: procuram-se culpados – ZAP Notícias

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espartgraphic / PIxabay

Tal uma vez que em Portugal, nos EUA têm abundado as denominadas spam calls. Por lá, muita gente aponta para um culpado: chama-se Ajit Pai.

– Estou?
– Estou, boa tarde.
– Boa tarde.
– Tenho cá o registo de uma chamada não atendida, deste número.
– Mas quem está a falar?
– Eu é que pergunto quem está a falar. Ligaram-me deste número…
– Ai ligaram?
– Ligaram. Não atendi, estou a vincular agora.
– Logo se ligaram, peço desculpa. Foi sem querer. Ou nem fui eu.

Nascente diálogo, ou um semelhante, já deve ter feito segmento da vida de muitos portugueses, nos últimos dias. Pelo menos uma vez. À segunda, já nem ligam de volta.

É uma consequência do esquema que apareceu em muitos telemóveis, em Portugal, que através de uma SMS pede ao destinatário para carregar num link. Caso a pessoa carregue nessa relação, o seu telemóvel pode estrear – muitos já começaram – a realizar chamadas sozinho, ou a enviar mensagens sozinho.

Nos Estados Unidos da América também há um esquema em larga graduação relacionado com telemóveis, nos últimos tempos. Mas um esquema dissemelhante.

As denominadas spam calls, as chamadas indesejadas, estão a ser realizadas para milhões de pessoas. São telefonemas, por exemplo, sobre o seguro do sege que está quase a morrer, ou com alertas sobre os impostos a remunerar ao Estado.

E muitas vezes até são mensagens de voz gravadas que se ouvem do outro lado. Não é uma conversa entre duas pessoas, é uma “conversa” entre uma pessoa e uma gravação, uma voz robot.

Muitas dessas chamadas são falsas. Com pretextos inventados, com propósitos criminosos.

Só em Março foram realizados murado de 4.5 milénio milhões destes telefonemas – e 30% eram esquemas fraudulentos.

Há um culpado? A revista Slate analisou as redes sociais e os norte-americanos chegaram a um consenso: Ajit Pai é o maior responsável.

Ajit foi o presidente da Percentagem Federalista de Comunicações enquanto Donald Trump foi presidente dos EUA.

Está no foco das queixas porque não deu seguimento a uma regra da governo anterior (com Barack Obama uma vez que líder do país), que abrangia e alargava a proibição de chamadas automáticas, as robocalls.

A regra foi apresentada em 2015 mas, três anos depois, já sob a presidência de Trump e sob a liderança de Ajit na percentagem, foi chumbada num tribunal de Columbia.

Os juízes justificaram a recusa: temiam que qualquer telemóvel fosse considerado capaz de realizar chamadas automáticas, porque qualquer telemóvel (smartphone) pode ter aplicações que realizam chamadas automáticas.

Ajit Pai festejou, na fundura. “Esta regra era mais um exemplo do desrespeito pela lei e do excesso de regulação, por segmento da direcção anterior”, comentou.

No entanto, continua o item da Slate, a responsabilidade não se centra no macróbio responsável.

A eliminação da regra beneficiou essencialmente instituições comerciais. Ainda hoje há muitos cobradores e bancos a vincular incessantemente aos clientes para pagarem dívidas – são consideradas robocalls, mas não são fraudes.

E Ajit Pai mexeu-se realmente para tentar diminuir o número de telefonemas falsos: as operadoras passaram a poder bloquear involuntariamente os números e foram aplicados mais métodos de sinalização – zero disto resultou.

Mesmo assim, a sua postura e as suas decisões não terão tido interferência nesta tendência recente.

As verdadeiras responsáveis serão as operadoras de comunicações.

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Porquê? Porque, hoje em dia, a realização de um telefonema passa por várias operadoras (em vez de somente uma, uma vez que até há poucos anos) – isto diminui os custos das operadoras mas, ao mesmo tempo, complica o combate à fraude. É mais difícil controlar telefonemas.

Portanto, quem é o culpado? Alexander Graham Bell, o pai do telefone.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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