Tony Miranda. O costureiro português que conquistou Paris e agora trabalha para milionários

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(dr) Tony Miranda

Salão Privado, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Tony Miranda já vestiu várias celebridades, mas nunca foi convidado para entrar nos eventos de voga nacionais. “Talvez quando vanescer, me reconheçam”, diz.

O estilista Tony Miranda apresentou esta quarta-feira a coleção privada 2023, composta por 80 coordenados femininos e masculinos, no Jardim TM Luxury Apartments, em Lisboa.

“Precisamos de restabelecer dos traumas: precisamos de nos voltar a sentir livres”, disse o nortenho de 74 anos, procedente de Torrados, perto de Felgueiras. “A economia está a crescer, precisamos de erigir uma cultura de sossego, uma cultura de convívio entre as pessoas, de diálogo, de compromisso”.

Prefere ser chamado de costureiro em vez de designer, porque “é entre as linhas, as agulhas e os tecidos que se sente plenamente realizado”, escreve o jornal Público, numa entrevista publicada esta quarta-feira.

Tony Miranda fez muita da sua curso na alta-costura de Paris. Vestiu celebridades porquê a atriz Brigitte Bardot ou os cantores Jacques Brel e Sylvie Vartan.

Tony Miranda assinou ainda peças para o Shah da Pérsia, Mohammad Reza Pahlevi, Principe Saud Al Faisal e Principe Turki, Kamal Adams, Mardam Zuer, Presidente Omar Bongo e Madame Edit Bongo, Félix Houphouët-Boigny, o Presidente do Togo, General Étienne Eyadéma, Charles Aznavour, entre outros.

Em entrevista ao Quotidiano de Notícias, o costureiro conta que mudou-se para Paris depois ver o desfile da Dior na televisão num salão paroquial, quando tinha 18 anos e trabalhava porquê alfaiate em Torrados.

Em Portugal faltam oportunidades de trabalho. Um coordenado pode custar 100 milénio euros. Por isso, a sua carteira de clientes é composta maioritariamente por milionários estrangeiros — para os quais trabalha, muitas vezes, sob anonimato.

Tony Miranda revela que tem o sonho de fundar uma escola de alta-costura em Guimarães, cidade onde vive desde que regressou a Portugal.

Saiu de França e voltou a Portugal no final dos anos 80. “É uma história muito longa. É muito complicado”, disse o artista, avançando que está a ortografar um livro sobre a sua vida.

Depois da insistência da jornalista Inês Duarte de Freitas, Tony Miranda admitiu que foi por paixão. “São coisas que acontecem na vida, e depois é tarde para voltar detrás”, disparou, lamentando que, por vezes, se arrepende de ter voltado.

Não ressente o facto de nunca ter sido convidado para entrar nos eventos de voga nacionais, porquê a ModaLisboa ou o Portugal Fashion. “Talvez quando vanescer, me reconheçam”, disse ao Público.

  ZAP //

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