Transporte de alimentos responsável por metade dos gases emitidos por veículos

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AndyRobertsPhotos / Flickr

O transporte de alimentos é responsável por quase metade da emissão de gases com efeito de estufa produzida pelos veículos. Tendo em consideração a emissão global, representa 6%.

“O nosso estudo estima que os sistemas alimentares globais, devido ao transporte, produção e alterações no uso da terra, contribuem com cerca de 30% do total das emissões de gases com efeito de estufa produzidos pelo homem”, indicou Mengyu Li, investigador da Escola de Física da Universidade de Sydney, na Austrália.

De acordo com o principal autor do estudo, publicado recentemente na Nature Food, o transporte de alimentos representa à volta de 6% das emissões totais desses gases. Já “as emissões relacionadas com o transporte alimentar somam quase metade das emissões diretas produzidas por veículos rodoviários”, referiu.

Para chegarem a estas conclusões, avançou o Cosmos, citando o artigo, os investigadores analisaram dados de 74 países, incluindo 37 sectores (fruta e vegetais, carvão, gado e manufatura, entre outros) e quatro métodos de transporte.

“Os nossos cálculos permitem ao consumidor saber o custo total dos alimentos que consomem, em termos de emissões”, indicou David Raubenheimer, investigador de Ecologia Nutricional da Universidade de Sydney, coautor da investigação.

Enquanto a maior parte dos cálculos anteriores consideravam apenas “o transporte dos alimentos, também tivemos em conta todas as coisas que precisam de ser transportadas para produzir os alimentos – como produtos químicos e maquinaria”, continuou especialista.

Os cálculos apontaram para uma estimativa de emissões de gases até sete vezes mais elevada do que as anteriores. A nível global, o transporte de alimentos é responsável por três mil milhões de toneladas de emissões de CO2 todos os anos – 19% do total das emissões relacionadas com alimentos e 6% do total das emissões globais.

Os países com maior população, como a China, os Estados Unidos, a Índia, e a Rússia, são os maiores emissores. Constatou-se ainda que as nações com maior riqueza são responsáveis por mais emissões relacionadas ao transporte de alimentos do que as mais carenciadas.

“Uma das nossas conclusões foi que, por quilómetro, o transporte terrestre é muito mais intensivo do que o transporte internacional, visto que o transporte marítimo é mais eficiente do que o ferroviário ou rodoviário”, disse Raubenheimer.

O tipo de alimentos também influencia. “Uma vez que os vegetais e a fruta requerem transporte com uma temperatura controlada, as suas emissões”, por quilómetro, “são mais elevadas”, acrescentou.

Os investigadores concluíram igualmente que, num cenário hipotético em que todos consumissem alimentos locais, o total das emissões globais associado ao transporte desses produtos era de 380 milhões de toneladas de CO2: pouco mais de um décimo do valor atual.

A equipa espera que estas conclusões motivem os consumidores a escolher alimentos cultivados localmente.

  ZAP //

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