Tudo parece projecto nas pinturas do macróbio Egipto. Porquê?

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(PD) Wikimedia

Uma perspectiva bidimensional projecto ajuda na geração de uma narrativa visual. Mas as justificações não se ficam por cá.

Quem olha para as (imensas) pinturas do macróbio Egipto, que resistiram até aos nossos tempos, já deve ter reparado que tudo parece projecto.

Sejam pessoas, animais ou objectos, tudo está dentro de uma perspectiva bidimensional.

Aliás, essa é uma das características mais marcantes da arte visual egípcia antiga.

Martin McGuigan, no portal Live Science, lembra que, ao contrário do que acontece num estampa a três dimensões, traçar a duas dimensões é sinónimo de sobresair somente uma superfície desse peça – e isso pode ser vantajoso.

“Na representação pictórica, o perímetro carrega consigo mais informações. É mais fácil entender um tanto se for definido por um esboço”, descreveu John Baines, professor de egiptologia em Oxford.

Ou seja, a pintura pode ter outros detalhes, mas o perímetro acaba por ser aa particularidade mais importante, numa pintura plana, que também procura ser clara e facilmente compreensível.

E o tamanho é sinónimo de influência. A realeza, os proprietários de túmulos surgem muitas vezes muito maiores do que os objectos à volta – um tanto que não aconteceria se fosse descrito numa pintura a três dimensões, com proporções realistas.

Aliás, uma perspectiva bidimensional ajuda na geração de uma narrativa visual: escrita na vertical (colunas), imagens na nivelado (linhas).

E as legendas hieroglíficas “fornecem informações que não são tão facilmente colocadas numa imagem”, explicou Baines.

Apesar de a maioria das obras que passam pelos nossos olhos ser “plana”, há também composições em paredes de túmulos com baixo-relevo com, por exemplo, corpos esculpidos na superfície plana da parede. O relevo acaba por modelar a superfície do corpo.

Leste método bidimensional foi “copiado” por artistas de outras regiões e chegou à Europa dos tempos da Idade Média: “É um sistema que funciona muito muito e, portanto, não há premência de alterá-lo”, finalizou John Baines.

  ZAP //

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