Vacina para tratar submissão de Fentanil pronta a ser testada em humanos

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[mementosis] / Flickr

Na guerra para travar a epidemia de opiáceos, os investigadores podem ter encontrado uma novidade arma poderosa: uma vacina que impede o fentanil de entrar no cérebro.

Uma equipa da Universidade de Houston, nos Estados Unidos (EUA), desenvolveu uma novidade vacina que pode expulsar a euforia associada ao fentanil. As conclusões foram divulgadas num estudo publicado recentemente na Pharmaceutics.

Nos últimos anos, o fabrico ilícito de fentanil aumentou significativamente, com as mortes por opiáceos sintéticos a aumentar em mais de 50% entre 2019 e 2020. A droga, extremamente potente, pode ser trágico mesmo quando consumida em doses pequenas, relatou o All That’s Interesting.

As descobertas revelaram que os anticorpos da sua vacina são capazes de atingir o fentanil no cérebro dos ratos. Mas o estudo e a vacina têm as suas limitações.

Em primeiro lugar, os anticorpos visam somente o fentanil e os derivados de fentanil, deixando de lado outros opiáceos – porquê a morfina. E em segundo, a vacina só foi testada em ratos, embora os investigadores tenham planos para concluir em breve os ensaios clínicos em humanos.

“Acreditamos que estas descobertas poderão ter um impacto significativo num problema muito grave, que assola a sociedade durante anos – o uso indevido de opiáceos”, disse o responsável principal do estudo, Colin Haile

“A nossa vacina é capaz de gerar anticorpos anti-fentanil que se ligam ao fentanil consumido e o impedem de entrar no cérebro, permitindo a sua eliminação para fora do corpo através dos rins”, explicou.

A crise dos opiáceos teve início nos anos 90, quando as empresas farmacêuticas consideraram que os medicamentos para a dor não causavam submissão. A verdade é que os profissionais tinham conhecimento das propriedades viciantes da morfina desde o início do século XX.

Segundo dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, em 2019, mais de 10 milhões de norte-americanos usaram indevidamente opiáceos, 1,6 milhões tinham um distúrbio de uso de medicamentos opióides e mais de 70.000 pessoas morreram de overdose.

Esta novidade vacina pode ser uma “mudança de jogo” no tratamento da submissão do fentanil, segundo Therese Kosten, outra das autoras do estudo.

“O uso e a overdose por fentanil (…) não são adequadamente tratados com os medicamentos atuais”, disse Kosten. “E a gestão da overdose aguda com a naloxona de ação curta não é eficiente, uma vez que são frequentemente necessárias doses múltiplas de naloxona para inverter os efeitos fatais do fentanil”.

A investigadora espera ainda que a vacina possa ajudar os dependentes a “‘voltarem para a sobriedade”.

  ZAP //

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