Vêm aí robôs sensíveis à dor, graças a uma nova pele eletrónica

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Wit / Rawpixel

Uma equipa de cientistas conseguiu criar um dispositivo que imita o sistema nervoso periférico dos humanos e permitirá aos robôs distinguir o toque suave do toque mais agressivo. A descoberta também pode ser usada na criação de próteses para quem sofreu amputações.

Se o teste de Turing pretende descobrir se a inteligência artificial consegue pensar e comportar-se como um humano, há cientistas agora que estão a procurar criar uma pele eletrónica que se assemelhe e tenha a mesma sensibilidade da nossa própria pele — e é possível que já o tenham conseguido.

Um novo estudo publicado na Science Robotics detalha o processo de criação de um dispositivo eletrónico que tem um grande alcance e é altamente sensível ao toque, podendo transmitir informação no imediato.

As tentativas anteriores de se criar um robô sensível ao toque tinham sucessivamente falhado devido à demora no processamento, o que criava um grande fosso entre o momento em que o toque efetivamente acontecia e o momento em que o robô se apercebia disso, relata o IFLScience.

A nova criação baseou-se no sistema nervoso periférico dos humanos, já que começa o processamento das sensações desde o ponto de toque e só envia as informações mais importantes até ao cérebro. A adoção do mesmo sistema na robótica impede que os canais de comunicação do computador fiquem lentos devido aos volumes excessivos de informação sensorial a que estão a ser expostos.

Uma rede de 168 transístores sinápticos feita de nanofios de óxido de zinco que se pode espalhar sobre uma superfície flexível — foi esta a chave para que os autores do novo estudo conseguissem replicar o sistema nervoso humano nos robôs. O dispositivo foi colocado numa mão semelhante a uma mão humana e verificou-se que o robô conseguia distinguir um toque mais gentil de um mais agressivo.

Dar aos robôs a capacidade de sentirem dor também é uma das vantagens desta criação, já que permite que estes sejam moldados de acordo com os estímulos externos, da mesma forma que nós aprendemos em criança que não devemos tocar num ferro quente ou nos espinhos de uma flor depois de lá irmos mexer.

A descoberta também pode revolucionar as próteses usadas por pessoas que sofreram amputações e permitir que, no futuro, estes membros de substituição também sejam sensíveis ao toque e à dor.

  ZAP //

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